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China quer aumentar energia renovável para 33% até 2025. Dependência do carvão ainda é bastante forte
A segunda maior economia do mundo, que é também o país que mais emite dióxido de carbono, quer reduzir a representatividade dos combustíveis fósseis no consumo energético do país.
O governo chinês, através da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, anunciou que planeia aumentar para 33% a quantidade de energia proveniente de fontes renováveis a circular nas suas redes elétricas nos próximos três anos, avança a agência ‘Reuters’.
Dados do portal ‘Our World in Data’ mostram que a China está significativamente dependente dos combustíveis fósseis para a produção de energia, especialmente do carvão. Em 2020, 56,84% da energia produzida na China derivou da queima de carvão, sendo que as energias renováveis, excluindo o nuclear, representaram 13% da produção.
Entre 2020 e 2021, segundo informações da ‘Fitch Ratings’, a produção de energia na China através de carvão diminui de 49% para 46%, e que, no ano passado, a capacidade instalada para produção de energia de fontes não-fósseis superou, pela primeira vez, a capacidade de produção de energia assente no carvão.
“A Fitch Ratings espera que a representatividade de combustíveis não-fósseis continue a crescer, à medida que o investimento em energia renovável se mantém alto” na China, apontava em fevereiro a agência de notação financeira.
No início do ano, o governo chinês informou que o consumo de eletricidade tinha aumentado 10,3% em 2021, um aumento de 14,7% comparando com valores de 2019. Dados do projeto ‘China Power’, do Centro para Estudos Estratégicos e de Segurança (CSIS), revelam que, entre 1990 e 2019, a China quase quadruplicou o consumo de carvão para produção de eletricidade, e que desde 2011 “consome mais carvão do que o resto do mundo junto”.
Até ao final da década, a China quer fazer crescer a capacidade de produção de energia solar e eólica para 1.200 gigawatts, o que, de acordo com a ‘Reuters’, será o dobro da capacidade atual. O plano passa pela construção de unidades de produção de energia renovável na região noroeste do país.
Contudo, apesar de a China apresentar planos para reduzir o consumo de carvão nos próximos anos, espera-se que adicione mais 150 gigawatts de capacidade de produção através desse combustível fóssil até lá, aponta o mesmo órgão de comunicação social, pelo que o caminho do país até a uma eventual neutralidade carbónica deverá ser tortuoso e repleto de curvas e contracurvas.