Bem-vindos a ‘Mar-a-NATO’: Europa começa a adaptar a sua mensagem a Trump

Os líderes europeus estão a ‘adaptar’ a sua mensagem a um possível regresso de Donald Trump à Casa Branca: no fundo, relata o jornal ‘POLITICO’, estão a comparar a aliança militar a um clube de golfe exclusivo onde os membros precisam de pagar as suas quotas.

Em particular, os responsáveis dos Estados Bálticos, que têm incitado a Alemanha e outros países europeus a gastar mais em Defesa. No dia de abertura da cimeira da NATO em Washington, três ministros da Defesa dos países mais vulneráveis da Europa mostraram o quanto já se prepararam para apresentar os seus argumentos a Trump caso este vença as eleições americanas em novembro.

Num painel coorganizado pelo jornal alemão ‘Welt’, os principais responsáveis de Defesa da Estónia, Letónia e Litânia fizeram um argumento contundente para a aliança da NATO que era visivelmente amigável a Trump: ‘temperaram’ os comentários para com os países que não estão a gastar muito em Defesa e praticamente silenciaram qualquer crítica direta aos instintos quase isolacionistas de Trump.

Um dos ministros utilizou mesmo expressões claramente direcionadas a Trump, um amante confesso de golfe. “A NATO é um clube. Quando há regras de clube, então respeita-se as regras e espera-se que todos as respeitem também”, refere o ministro da Defesa da Estónia, Hanno Pevkur. “Quando se paga a taxa no clube de golfe, pode-se jogar. Não importa quão grande seja a sua carteira.”

Recorde-se que os países da NATO que não conseguiram atingir a meta de gastos com Defesa de 2% do PIB da aliança foram um dos principais pontos de discórdia de Trump durante o seu primeiro mandato, levando mesmo o ex-presidente a ameaçar retirar os EUA da aliança se as nações não pagassem a sua parte justa.

Pevkur pediu à aliança que aumentasse a meta mínima de gastos com Defesa, mesmo com a projeção de que nove países não atingirão a meta de 2% do PIB neste ano. “2% não é o suficiente”, disse Pevkur. “Temos de ir para 2,5, talvez até 3%.”

Os ministros da Defesa em questão expressaram repetidamente confiança de que Washington permanecerá comprometido com os seus aliados europeus mais vulneráveis, mesmo que Trump regresse à Casa Branca, destacando como os EUA aumentaram o seu envolvimento no Báltico durante a primeira administração Trump. “Os Estados Unidos são indispensáveis ​​para nós”, refere o ministro da Defesa da Letónia, Andris Spruds. “Ao mesmo tempo, diria que é vice-versa. Acreditamos também que a NATO é indispensável para os Estados Unidos.”

Joe Biden acabou mesmo por ser o alvo das principais críticas: de acordo com Pevkur, o Ocidente deve escolher se quer ajudar a Ucrânia a lutar “pelo tempo que for preciso” — ecoando uma frase frequentemente repetida por Biden e pelo secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken — ou se quer dar à Ucrânia o que ela precisa para vencer a guerra. “Há uma superioridade tecnológica no Ocidente sobre a Rússia, mas não estamos a dar isso à Ucrânia no momento”, salienta. “Esta é a nossa questão estratégica para o futuro.”

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