Ano letivo arranca hoje com (alguma) “paz de volta” às escolas, mas com 117 mil alunos ainda sem professores

Arranca entre hoje e a próxima segunda-feira o 1.º período do novo ano letivo mas, para dezenas de milhares de alunos, as aulas começarão sem professor a pelo menos uma disciplina.

Ontem, a um dia do arranque do ano letivo, as escolas ainda procuravam professores para mais de dois mil horários que continuam vazios, a maioria anuais, deixando cerca de 117 mil alunos sem aulas a, pelo menos, uma disciplina.

Depois de conhecidos os resultados da segunda reserva de recrutamento, em que foram colocados 2500 professores, as escolas continuam à procura de professores para ocupar 2228 horários submetidos desde segunda-feira.

A contabilização, feita por Arlindo Ferreira, autor do ‘blog’ sobre educação “Blog DeAr Lindo” e diretor do Agrupamento de Escolas Cego do Maio, Póvoa de Varzim, inclui apenas os horários disponíveis na oferta de contratação de escola, o último recurso disponível para o recrutamento de professores.

Além destes, poderão somar-se ainda os horários a concurso em contratação de escola submetidos nas semanas anteriores e que ainda não foram preenchidos e aqueles que serão disponibilizados na próxima reserva de recrutamento, cujos resultados serão conhecidos na segunda-feira.

À semelhança dos anos anteriores, é para a disciplina de Informática que as escolas têm maiores dificuldades em contratar, mas o cenário é preocupante em quase todos os grupos de recrutamento, à exceção do pré-escolar e 1.º ciclo.

Para Informática, por exemplo, as escolas têm ainda, pelo menos, 126 horários vazios, mas há também 92 horários por preencher na disciplina de Português, 83 horários para professores de Matemática, 80 para docentes de Física e Química e 75 horários para História e de Geografia.

“Acho que (a situação) está pior neste momento”, disse o diretor escolar em comparação com o ano passado.

De acordo com a contabilização feita até às 17:30 de terça-feira, os mais de dois mil horários traduzem-se em cerca de 117 mil alunos sem aulas a, pelo menos, uma disciplina.

As aulas começam entre os dias 12 e 16 de setembro, num novo ano letivo que o ministro da Educação, Ciência e Inovação já admitiu que vai arrancar com “milhares de alunos sem aulas”.

O Governo aprovou, para este ano, um conjunto de medidas para tentar responder à falta de professores nas escolas, que passam pela possibilidade de contratar professores aposentados com uma remuneração extra ou de bolseiros de doutoramento.

Além do plano “+ Aulas + Sucesso”, o Governo vai criar um apoio a professores deslocados colocados em escolas para onde é difícil contratar docentes e vai realizar, ainda durante o 1.º período, um novo concurso de vinculação extraordinária para as escolas mais carenciadas.

Sindicatos e Diretores admitem início “conturbado”

À Executive Digest,  Filinto Lima, presidente da Andaep, admitiu que o arranque será “conturbado” devido à falta de professores, mas celebra a esperança de que “a paz esteja de volta às escolas”, após o Governo ter chegado a acordo com sete sindicatos de professores, no passado ano letivo.

“Antes do acordo dizia que os professores estavam, e continuam a estar, mais unidos do que nunca. Mas lamento, como lamentava, que os sindicatos estejam totalmente desunidos”, indicou.

A Federação Nacional de professores (Fenprof), que não assinou o acordo com o Ministério da Educação,  arranca hoje com  uma greve de professores ao sobretrabalho, horas extraordinárias e componente não letiva de estabelecimento entre as 00:00 e as 24:00, e por tempo indeterminado, motivada “pelos abusos e ilegalidades no horário de trabalho” e pelo “respeito do Estatuto da Carreira Docente (ECD) e da Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas (LTFP)”.

À Executive Digest, José Feliciano Costa, secretário-geral-adjunto da Fenprof, confessou que o acordo  “é positivo” e deve ser celebrado, mas que a estrutura sindical “nunca poderia assinar uma solução que deixa de forma mais de 30 mil professores”, que não vêm qualquer tempo de serviço recuperado ou apenas parcialmente. A estrutura só deverá anunciar depois do arranque do ano letivo novas formas de luta.

*Com Lusa

 

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