Adesão da Ucrânia à UE “deverá congelar” durante a presidência rotativa de Orbán do Conselho da UE

As ambições da Ucrânia de aderir à União Europeia poderão ficar paralisadas no segundo semestre do ano, período em que a Hungria assume a presidência rotativa do Conselho da UE, indica esta quarta-feira o site ‘Euronews’.

Kiev não é uma prioridades para o Governo de Viktor Orbán, que definirá a agenda semanal e presidirá às reuniões ministeriais, em Bruxelas, a partir de 1 de julho. O Governo húngaro terá assim um papel central na decisão sobre os temas que serão discutidos a nível europeu. O slogan oficial da presidência rotativa húngara será “Make Europe Great Again” (Tornar a Europa Grande Novamente), no que parece ser uma clara homenagem ao ex-presidente republicano dos EUA, Donald Trump, que está em campanha nos Estados Unidos com esta frase para as eleições de novembro.

Esta atitude causou algum mal-estar entre os diplomatas da UE, que temem que o primeiro-ministro húngaro explore a posição de presidente do Conselho da UE (que organiza reuniões com os ministros dos 27 países, por pasta temática) para promover as suas opiniões nacionalistas e de extrema-direita.

A política do bloco em relação à Ucrânia é uma das que corre maior risco de descarrilar. O Governo de Budapeste revelou o programa oficial da presidência, o que confirmou alguns receios: János Bóka, o ministro dos Assuntos Europeus, deixou claro que o seu país não ajudará o Governo de Kiev a abrir nenhum dos 35 capítulos que constituem os seis grupos temáticos das negociações de adesão.

“De acordo com as minhas expectativas, durante a presidência húngara, a questão da abertura dos capítulos não será levantada de todo”, afirma Bóka.

No programa de 21 páginas, há várias alusões à Ucrânia no que se refere à economia, integridade territorial, reconstrução, implicações de segurança, refugiados, crimes de guerra e liberdade de circulação, mas não no contexto do alargamento. “O processo de alargamento deve contribuir substancialmente para a melhoria da situação das minorias nacionais”, lê-se.

Bóka disse à imprensa acreditada em Bruxelas que a Hungria pretende tornar o processo de alargamento “baseado no mérito, objetivo e credível” e desviar a atenção política, que se tem centrado na Ucrânia, para os Balcãs Ocidentais. “O que temos visto é que, em certos Estados-membros e instituições, existe um certo entusiasmo pelo alargamento do trio no leste”, disse Bóka, referindo-se à Ucrânia, Moldova e Geórgia. “A presidência estabeleceu o objetivo de fazer com que algum desse entusiasmo se estenda aos Balcãs Ocidentais, para que todos eles possam estar mais perto da adesão.”

A política de alargamento, tal como os assuntos externos, a fiscalidade e o orçamento comum, está sujeita ao princípio da unanimidade, o que significa que um único país pode impedir uma decisão acordada pelos outros 26 Estados-membros.

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