Notícias, conteúdos e até obituários falsos: spam do IA está a arruinar a internet, alertam especialistas

Pouco mais de um ano após o lançamento público do ChatGPT, diversos especialistas já avançaram com uma previsão sobre como poderá afetar a Internet: o spam produzido pela Inteligência Artificial (IA) está a inundar a web

Francisco Laranjeira
Janeiro 30, 2024
13:40

Pouco mais de um ano após o lançamento público do ChatGPT, diversos especialistas já avançaram com uma previsão sobre como poderá afetar a Internet: o spam produzido pela Inteligência Artificial (IA) está a inundar a web, com consequências imprevisíveis, segundo indicou o ‘Business Insider’, que relatou três casos recentes.

O ‘404 Media’, um novo blog de tecnologia, escreveu na semana passada que teve de modificar o seu site por causa do spam da IA: as versões escritas por IA das suas notícias têm aparecido em sites de spam que são favoráveis à otimização de mecanismos de pesquisa – em muitos casos até acima dos artigos reais da ‘404 Media’ nos resultados de pesquisa do Google. Ou seja, os cibercriminosos estão a ganhar dinheiro exibindo anúncios nas páginas geradas por IA.

Foi relatada uma série de ferramentas de IA que prometem ‘girar’ artigos para os seus utilizadores: uma, chamada ‘SpinRewriter’, permite aos utilizadores criar mil versões ligeiramente diferentes do mesmo artigo com um único clique e publicá-las automaticamente em diversos sites WordPress através de um plugin pago. Uma empresa chamada ‘Byword’ anunciou recentemente o “assalto de SEO”, que “roubou 3,6 milhões de tráfego total de um concorrente com este ‘One Weird Trick’, que exportou do mapa do site do concorrente e criou versões geradas por IA de 1.800 dos seus artigos.

Essas versões de artigos geradas por IA prejudicam o setor dos media, roubando efetivamente cliques (e receitas) dos meios de comunicação que gastam tempo real e dinheiro a fazerem reportagens.

Outro exemplo: a ‘Wired’ denunciou o caso do ‘The Hairpin’, um blog independente popular da década de 2010, que foi assumido por um criador de clicks de IA, que deixou alguns dos seus artigos populares, mas que substituiu o nome das mulheres que os escreveram por nomes masculinos.

Por último, naquele que pode ser apontado como o extremo mais tóxico do espectro do spam de IA, há obituários gerados por Inteligência Artificial, cheios de erros, mas que causam verdadeira dor às famílias enlutadas. Em 2021, muito antes do ChatGPT, a ‘Wired’ relatou que “piratas de obituários” estavam a vasculhar e a copiar sites de funerárias – agora utilizam a IA para uma tática nova e lucrativa de criar vídeos para o YouTube e sites de spam a partir de obituários, capturando tráfego de pesquisa para pessoas que procuram informações sobre falecidos recentemente.

De acordo com o ‘New York Times’, um caso chocante de um estudante universitário que morreu depois de acidentalmente ter caído nas linhas do metro de Nova Iorque foi o ‘gatilho’ para dezenas de vídeos no YouTube e artigos gerados por IA.

Esses óbitos foram uma resposta dos cibercriminosos que notaram um aumento no interesse de pesquisa em torno do nome do jovem e da palavra “metro”. Os golpistas rapidamente inseriram esses termos-chave, instruíram a IA para escrever um obituário em tom coloquial e, em seguida, publicaram-no num site para que aparecesse nas pesquisas do Google.
Todos os três exemplos diferem nos detalhes, mas têm algo em comum: maus atores, golpistas e spammers a tentar ganhar dinheiro com o IA para distribuir grandes quantidades de conteúdo para chegar ao topo dos resultados da pesquisa do Google.

Este é um grande problema para o Google, que acaba por servir resultados inúteis aos utilizadores, que cada vez mais contam com outras opções – também graças ao IA – de pesquisa. A tecnológica americana já garantiu estar ciente destes obituários de spam e que está a trabalhar para os resolver.

O que motivou o alerta dos especialistas: a IA vai mudar radicalmente a web, para melhor ou para pior. Cabe ao Google e às empresas que fabricam essas ferramentas de IA minimizar os danos reais.

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