Quando o euro entrou em circulação em 2002, a nota de 500 euros foi uma das novidades que mais chamou à atenção: não só por ser mais valiosa mas também a mais inacessível. Agora, 21 anos depois da sua entrada em vigor, a nota não vive o seu melhor momento.
Sobretudo desde 2019, quando o Banco Central Europeu proibiu a emissão de notas de 500 euros, uma medida justificada pela “preocupação de que as notas desta denominação possam facilitar o exercício de atividades ilícitas”. Foi no início de maio de 2016 que o BCE decidiu descontinuar a produção e emissão da nota de 500 euros, tendo decidido também excluí-la da série Europa, a segunda série de notas de euro.
A medida motivou mesmo o alerta do Banco de Portugal. “Os cidadãos podem continuar a utilizar as notas de 500 euros sem restrições, incluindo para fazer pagamentos. Ou seja, as notas de 500 euros mantêm curso legal. Recordamos que ninguém está mandatado para recolher notas em nome do Banco de Portugal ou de qualquer instituição bancária.”
O combate de várias instituições contra a economia clandestina é feito tanto a nível estatal como a nível continental e era frequente a presença de notas de 500 euros ligadas a atividades criminosas.
O Banco de Portugal retirou de circulação, em 2022, um total de 10.732 notas de euro contrafeitas em 2022, menos 1% do que no ano anterior (10.836) e representando 2,86% das apreensões no Eurosistema. A denominação de 500 euros foi a quinta mais apreendida no ano passado (243 notas, contra 118 em 2021), seguida da de 5 euros (235 notas em 2022 face a 830 no ano anterior) e, finalmente, da de 200 euros (187 notas em 2022 e 71 notas em 2021).
Por exemplo, em Espanha, todas as entradas e saídas de dinheiro que envolvam notas de 500 euros obrigam os bancos a comunicar ao Tesouro: ao mesmo tempo, foram proibidos pagamentos em numerário de montantes superiores a mil euros, em que as notas em questão têm um papel preponderante.
O contexto em torno das notas de 500 euros, somado à expansão dos meios de pagamento online ou sem contacto, teve uma consequência direta: o número de notas de 500 euros diminuiu para níveis nunca vistos na vizinha Espanha, segundo garantiu o jornal ‘El Economista’.
Segundo dados do Banco de Espanha, publicados no final de 2022, tornou-se claro: com 12,3 milhões, as notas de 500 euros registaram um novo mínimo histórico, mesmo abaixo do primeiro ano de circulação (2002). O montante das mesmas, de 6.150 milhões de euros, foi 21% inferior ao do ano anterior.














