“Nós precisamos da Gronelândia”: Propagandistas de Putin querem acordo com Trump para dividir o território

Uma proposta controversa foi avançada por Andrey Gurulyov, deputado da Duma (Parlamento russo) e antigo comandante militar, durante uma emissão no canal estatal Russia-1. Gurulyov sugeriu que a Rússia deveria negociar com Donald Trump, presidente eleito dos Estados Unidos, uma divisão da Gronelândia, caso as ambições norte-americanas de adquirir o território avancem.

Pedro Gonçalves
Janeiro 14, 2025
11:56

Uma proposta controversa foi avançada por Andrey Gurulyov, deputado da Duma (Parlamento russo) e antigo comandante militar, durante uma emissão no canal estatal Russia-1. Gurulyov sugeriu que a Rússia deveria negociar com Donald Trump, presidente eleito dos Estados Unidos, uma divisão da Gronelândia, caso as ambições norte-americanas de adquirir o território avancem.

A Gronelândia, território autónomo da Dinamarca, tem estado no centro de atenções internacionais desde que Trump manifestou interesse em adquiri-la durante o seu mandato anterior. Este interesse foi renovado recentemente, com os republicanos na Câmara dos Representantes a apresentarem um projeto de lei que permitiria a abertura de negociações com o governo dinamarquês.

Gurulyov, no entanto, destacou a relevância estratégica da Gronelândia para a Rússia, sugerindo que o país deve reforçar a sua presença militar no Ártico. “A Gronelândia é necessária para nós, sem brincadeiras”, afirmou. “No mínimo, poderíamos fazer um acordo com Trump e dividir a Gronelândia em algumas partes.”

O político russo mencionou ainda a proximidade de Svalbard, outra região ártica onde a Rússia já estabeleceu bases militares, à Frota do Norte russa, sublinhando que estas instalações são “extremamente importantes” para o país.

“As condições no Ártico exigem que aumentemos claramente o componente militar. Não podemos focar-nos apenas na Ucrânia. O Ártico já se tornou uma questão maior, e precisamos de calcular cuidadosamente os nossos próximos passos. A guerra, como sempre dizemos, é matemática”, afirmou Gurulyov.

Apesar das intenções expressas por Trump e da proposta de Gurulyov, o primeiro-ministro da Gronelândia, Múte Egede, reafirmou a soberania do território. “A Gronelândia é nossa. Não estamos à venda e nunca estaremos à venda”, declarou Egede em declarações à Reuters em dezembro.

Egede, no entanto, deixou a porta aberta para uma cooperação mais estreita com os Estados Unidos, especialmente em áreas como defesa e exploração de recursos minerais.

Desafios para trump e implicações da NATO
Trump, que tomará posse novamente em 20 de janeiro, enfrenta barreiras significativas para concretizar a sua visão de anexar a Gronelândia. Qualquer tentativa de aquisição militar ou económica poderia colocar em risco as relações com a Dinamarca, um membro da NATO.

De acordo com o artigo 4.º do tratado da NATO, qualquer ameaça à integridade territorial, independência política ou segurança de um estado-membro pode levar à consulta entre os membros da aliança. Uma tentativa de apropriação forçada da Gronelândia poderia, assim, desencadear uma resposta coletiva.

As declarações de Gurulyov sublinham a crescente importância do Ártico como palco de disputas estratégicas. Com as alterações climáticas a abrir novas rotas marítimas e expondo vastos recursos naturais, tanto os Estados Unidos quanto a Rússia parecem determinados a reforçar a sua presença na região.

Enquanto Trump insiste em avançar com a aquisição da Gronelândia, a Rússia aponta para a necessidade de construir uma defesa robusta no Ártico, protegendo os seus interesses estratégicos. Como afirmou Gurulyov, “precisamos de construir uma defesa que desencoraje qualquer tentativa de interferência no Ártico”.

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