Nos bastidores de Ischgl: o resort austríaco que espalhou o COVID-19 por 6 países

É apresentado como o “ground zero” do surto de COVID-19 na Europa e acusado de ter tentado esconder o que se passava com os hóspedes.

Executive Digest

É apresentado como o “ground zero” do surto de COVID-19 na Europa e acusado de ter tentado esconder o que se passava com os hóspedes. O resort de ski austríaco Ischgl terá estado na origem da onda de contágio que levou o novo coronavírus além-fronteiras: segundo o Business Insider, centenas de casos confirmados em mais seis países estão associados a esta estância.

A 2 de Abril, verificavam-se também mais de 600 pessoas infectadas em Ischgl ou nas redondezas, levando as estimativas a apontar para o dobro dos casos no estrangeiro com origem nesta região.

A mesma publicação indica que as autoridades austríacas estão a ser investigadas por alegadamente terem encoberto o primeiro caso em Ischgl. Enfrentam também um processo em tribunal pela forma com lidaram com a crise, uma vez que esperaram nove dias para encerrar o resort depois de a Islândia ter anunciado, a 4 de Março, que oito cidadãos tinham sido infectado em Ischgl.

Três dias depois, um bartender num bar popular de Ischgl testou positivo para COVID-19, levando a que 22 pessoas com quem tinha estado em contacto ficassem em quarentena. Deste total, 15 estavam infectadas. O bartender já foi apontado como paciente zero, mas a teoria caiu entretanto por terra. Embora tenha sido o primeiro a ser diagnosticado, outros especialistas acreditam que terá sido uma empregada de mesa suiça a levar a doença para o resort austríaco.

O bar foi fechado a 9 de Março, seguindo-se os restantes estabelecimentos do género a 11 de Março. O resort, por seu turno, só foi encerrado no dia 13.

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Além disso, as autoridades austríacas emitiram comunicados através dos quais minimizavam as preocupações relacionadas com o vírus, garantindo mesmo aos turistas que não existiriam motivos para preocupação. No entanto, o governador da reigão Günther Platter garante ao Business Insider que as autoridades de saúde reagiram assim que foram informadas dos primeiros casos.

Mas o que tem Ischgl de especial para se ter tornado no ponto de partida para a pandemia no Velho Continente? Situada na região do Tirol, o resort de Ischgl fica numa localidade com apenas 1500 residentes. Entre as montanhas, acolhe todos os anos centenas de turistas, incluindo figuras conhecidas como Paris Hilton, Naomi Campbell ou Bill Clinton.

É o terceiro maior resort de ski da região, contando com 45 estruturas de transporte e uma época que se prolonga até Maio. Faz parte da Silvretta Arena, uma rede que atravessa a fronteira entre a Áustria e a Suiça e que alberga o maior parque de freestyle dos Alpes.

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O Business Insider indica que o resort de Ischgl ganha 12 mil dólares (cerca de 11 mil euros) por cama todos os anos e que recebe 500 mil visitantes por Inverno. Além da prática de ski, o resort atrai pelas festas e actividades que se realizam depois, tendo até conquistado a alcunha de “Ibiza dos Alpes”.

Há discotecas e concertos no topo da montanha, sendo que pelos palcos de Ischgl já passaram bandas e músicos como Lenny Kravitz e The Beach Boys. Somam-se ainda as qualidades gastronómicas da localidade, que é casa de restaurantes com estrelas Michelin. O facto de as festas juntarem muitas pessoas é uma das razões apontadas para os níveis de contágio verificados: Ischgl revelou ser o ambiente ideal para a propagação do novo coronavírus.

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