Covid-19. Nove países dos 60 já afectados não registam novos casos há mais de 15 dias

Foram dos primeiros países a registar casos de coronavírus. Mas também são os que há mais tempo não registam novas ocorrências.

Revista de Imprensa

O Nepal, Sri Lanka, Camboja, Rússia e Filipinas foram dos primeiros países a registar casos de coronavírus. Mas também são os que há mais tempo não registam novas ocorrências.

Globalmente, de acordo com dados divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), há nove dos 60 países atingidos que estão a conseguir conter o vírus. O Nepal foi o país que até agora só notificou um caso há 48 dias e desde essa altura que não regista mais nenhum. O Sri Lanka e o Camboja, que registaram um caso cada um há 34 dias, e sem novos casos, também. Nos três países, todos os casos foram importados.

Em território europeu, a Rússia, com dois casos importados, e a Bélgica, com um, também. Ambos não registam novos casos há 30 e 26 dias, respectivamente.

A Rússia, que anualmente recebe quase 2,5 milhões de chineses, em turismo ou negócios, encerrou as fronteiras com a China, proibindo a entrada de chineses, assim como viagens de cidadãos russos para aquele país. E, até agora, a Bélgica conseguiu monitorizar as entradas no país.

Ao “Diário de Notícias” (DN), o virologista Jaime Nina explica que o facto de «estes países não registaram nenhum caso há tanto tempo quer dizer que já não têm o vírus ou que, então, têm uma doença mais leve».

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Ainda segundo dados da OMS, a índia – que, para já, só teve três casos importados – não regista qualquer situação de infecção por coronavírus há 28 dias.  As Filipinas tiveram três casos importados, uma morte, e há 26 dias que não registam novos casos. O mesmo se passa no Vietname, que teve 16 casos, o último dos quais há 18 dias. O Egipto teve um caso há 16 dias e mais nenhum outro.

Há, no entanto, um outro factor a ter em conta: a maioria dos países que estão a conseguir travar o vírus registaram casos importados. Ou seja, não houve transmissão local, como aconteceu em Itália, o país da Europa com a situação mais grave.

Recorde-se que, Portugal tem agora quatro casos confirmados: um homem de 66 anos e outro de 33, que estão a ser acompanhados e tratados nos hospitais de São João e Santo António, no Porto. A estes doentes juntam-se, agora, outros dois casos. Ao que a “TVI” apurou, trata-se de um médico de 24 anos e uma médica de Vila Real.

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«Deixámos de ser a anomalia na Europa. Já temos dois casos, não seria normal se também não os tivéssemos», constata o especialista português ao “DN”, sublinhando que é necessário «saber lidar com a situação». «Tudo depende da evolução do número de casos, se começarmos a ter muitos, eu proporia que se cancelassem eventos que reunissem muitas pessoas, como jogos de futebol que, apesar de serem ao ar livre, reúnem milhares de pessoas», acrescentou ainda.

O dia 1 de Março foi o dia em que a província de Hubei, na China, registou o menor número de casos suspeitos (64) e 570 confirmados. «É uma boa notícia, pode querer dizer que estão a conseguir estancar o vírus, mas, ao certo, não sabemos», afirma o médico português, argumentando que a OMS divulgou há dias ter sido informada pela China que a província de Hubei tinha atingido o seu limite, não tendo mais capacidade para testar todos os doentes suspeitos, passando assim a notificar só os casos confirmados e os possíveis.

Os últimos dados divulgados pela OMS, relativos ao balanço de 1 de Março, revelam que na província de Hubei havia 66 907 infectados, enquanto em todo o território chinês havia só mais 13 mil casos. Ao todo, 79 968 infetados. A taxa de mortalidade na província de Hubei, que reúne 13 cidades e cerca de 60 milhões de pessoas, é de 4%, mas no resto da China é da ordem dos 0,7%.

Além de Portugal, outros países como a Arábia Saudita, Jordânia, Tunísia e Irlanda também deram conta dos primeiros casos.

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