A Câmara dos Representantes do Nepal reúne-se esta quarta-feira para uma sessão em que o presidente do Parlamento, Dol Prasad (DP) Aryal, deverá apresentar uma resolução especial sobre as cheias catastróficas provocadas pelo rio Bhote Koshi a 26 de agosto. A reunião ocorre num momento em que o país continua a contabilizar vítimas, desaparecidos e elevados danos materiais provocados pela dimensão do desastre.
O balanço divulgado pelas autoridades nepalesas aponta para 987 mortos, 3.916 pessoas desaparecidas e 279 feridos, enquanto pelo menos 11.814 pessoas já foram resgatadas. Estes números integram o balanço da National Disaster Risk Reduction and Management Authority e surgem num contexto em que o número total de vítimas mortais no Nepal e na China já ultrapassou as mil. A agência nepalesa é responsável pelos dados relativos ao país, enquanto as previsões e atualizações sobre a dimensão da tragédia têm sido acompanhadas pelas autoridades dos dois lados da fronteira.
A sessão parlamentar desta quarta-feira assume particular importância devido à dimensão dos estragos provocados pelas cheias. A resolução especial que será apresentada pelo presidente da Câmara dos Representantes deverá centrar-se na catástrofe desencadeada pelo Bhote Koshi e na resposta à situação criada em várias zonas do país.
Parlamento volta a reunir depois de sessão interrompida
A Câmara dos Representantes já tinha sido convocada no próprio dia em que ocorreu a inundação provocada pelo rio Bhote Koshi, mas essa sessão acabou por ser suspensa por tempo indeterminado. Agora, perante a dimensão das consequências da catástrofe, o Parlamento volta a reunir-se para abordar formalmente a situação através de uma resolução especial.
A iniciativa será apresentada por Dol Prasad Aryal, presidente da Câmara dos Representantes, numa altura em que as operações de emergência continuam e as autoridades procuram localizar pessoas que permanecem desaparecidas.
A dimensão do desastre obrigou a uma mobilização significativa de meios de segurança e salvamento. De acordo com a National Disaster Risk Reduction and Management Authority, quase 21 mil elementos das forças de segurança participaram nas operações que permitiram retirar de zonas afetadas mais de 11.800 pessoas.
Quase mil mortos e milhares de desaparecidos no Nepal
O balanço nepaleses revela a dimensão particularmente grave das cheias. Até ao momento, foram confirmadas 987 mortes no país, enquanto 3.916 pessoas continuam desaparecidas. Há ainda 279 feridos registados pelas autoridades.
O número de desaparecidos é especialmente relevante porque mantém em aberto a possibilidade de o balanço de vítimas continuar a aumentar à medida que as equipas de emergência conseguem chegar a áreas que permanecem isoladas ou de difícil acesso.
Entre as pessoas dadas como desaparecidas encontram-se 583 estrangeiros. Do lado português, o Ministério dos Negócios Estrangeiros indicou que dois cidadãos portugueses estão entre os desaparecidos no Nepal, depois de um terceiro ter sido ontem resgatado com vida.
A situação estende-se também ao território chinês, particularmente ao Tibete. Na mais recente atualização das autoridades chinesas, divulgada no domingo, tinham sido contabilizados 16 mortos. Somados aos 987 mortos registados no Nepal, os números conhecidos nos dois países elevavam para pelo menos 1.003 o total de vítimas mortais provocadas pelo desastre.
Um cidadão português encontra-se também entre as pessoas desaparecidas no Tibete, de acordo com uma lista anteriormente divulgada pelas autoridades chinesas. Essa relação incluía 261 cidadãos de 23 países.
Cheias provocaram danos extensos em várias regiões
A inundação associada ao rio Bhote Koshi provocou danos extensos em diferentes zonas do Nepal, afetando infraestruturas, povoações e projetos hidroelétricos em vários distritos.
A dimensão dos estragos tem dificultado o acesso das equipas de emergência a algumas comunidades. É precisamente neste contexto que as operações de resgate continuam a assumir uma importância central, com milhares de elementos das forças de segurança mobilizados para localizar pessoas, retirar populações de zonas afetadas e prestar assistência.
Até ao momento, pelo menos 11.814 pessoas foram resgatadas pelas autoridades nepalesas. O número demonstra a escala da operação desencadeada na sequência das cheias e a necessidade de manter os trabalhos de emergência enquanto persistirem áreas isoladas e pessoas por localizar.
Resolução surge num momento de emergência nacional
A apresentação da resolução especial ocorre, assim, num dos momentos mais críticos desde o início das cheias. A Câmara dos Representantes pretende voltar a colocar a catástrofe no centro da atividade parlamentar depois de a primeira sessão realizada no dia do desastre ter sido interrompida.
A iniciativa do presidente do Parlamento acontece quando as autoridades ainda trabalham na resposta às consequências da inundação e quando o balanço de vítimas permanece sujeito a alterações. Com 987 mortos confirmados, quase quatro mil desaparecidos e milhares de pessoas já retiradas das zonas afetadas, a dimensão humana da tragédia continua a ser o principal desafio para as autoridades nepalesas.
Ao mesmo tempo, os danos provocados nas infraestruturas, nas áreas habitacionais e nos projetos hidroelétricos acrescentam uma dimensão económica e logística à emergência, dificultando o acesso a algumas comunidades e aumentando a complexidade das operações de recuperação.
A reunião desta quarta-feira, 2 de setembro, será, por isso, acompanhada num cenário de forte pressão sobre as autoridades nepalesas. A apresentação da resolução especial por DP Aryal deverá colocar formalmente no centro dos trabalhos da Câmara dos Representantes a catástrofe provocada pelo Bhote Koshi e a resposta necessária perante uma tragédia que já provocou quase mil mortos no Nepal e mais de mil vítimas mortais quando contabilizados os dados disponíveis relativos ao Nepal e à China.














