“Nenhuma mulher quer ser contratada porque é mulher”, diz Diretora-Geral da TAB Portugal

Portugal é um país de empreendedores… e empreendedoras, que cada vez mais mostram intenções de entrar nesse mundo. O empreendedorismo nacional tem crescido significativamente em Portugal, com dados do Eurostar a mostrar que, na segunda metade de 2021, houve um aumento de 36% no registo de novas empresas no país.

Rita Maria Nunes, diretora geral da TAB Portugal, um sistema de franchising que fornece conselhos e serviços de coaching a empresários, é um bom exemplo de mulher empreendedora.

Ser líder e mulher em Portugal “é maravilhoso, e cada vez menos complexo, felizmente”, começa por dizem em declarações à ‘Executive Digest’. Rita Maria Nunes sente-se assim pois, atualmente, “já não existe tanto estereótipo e preconceito com mulheres a liderar projetos”.

No entanto, acrescenta que o caminho ainda não está todo feito nesse sentido, pois “naturalmente é um lugar onde existem mais homens e ainda há quem fique surpreso de uma mulher conseguir lá chegar”.

“Quero acreditar que não tem que ver com as competências, mas sim com o facto de que está culturalmente associado à mulher um conjunto de tarefas familiares. Na geração dos meus pais, era impensável a figura masculina ter tarefas domésticas e hoje é impensável não ter. São estes pequenos detalhes que mudam gerações”, explica ainda.

Sobre as características diferenciadoras que as mulheres podem trazer às chefias, a diretora geral da TAB Portugal acredita que têm um “olhar mais delicado sobre as empresas e as equipas”, dando um exemplo pessoal em que explicar ser mais fácil “uma mulher compreender que há um filho doente em casa e precisamos de tirar dias ou ficar em teletrabalho”, assim como entendem de melhor forma “determinados comportamentos e alterações de postura de colaboradores porque somos também mais atentas a isso por natureza”.

“Não somos melhores ou piores por sermos homens/mulheres. Somos diferentes, com vivências, histórias, competências diferentes, que nem sempre estão associadas ao género”, acrescenta.

Quando questionada sobre quais as principais medidas já adotadas nas empresas para colocar mais mulheres na liderança das empresas, Rita Maria Nunes começa por explicar que “nenhuma mulher quer ser reconhecida por programas de quotas, ou ser contratada porque é mulher e precisamos ter um rácio ou uma meta cumprida. As mulheres querem ser contratadas porque são um ativo válido para aquela empresa, para aquele cargo e porque se sentem uma mais-valia”.

Desta forma, defende que estas “medidas são uma forma de politizar o assunto, e enquanto existirem, vamos continuar a criar gaps cada vez maiores na questão da igualdade e paridade”, pelo que prefere focar-se na parte significativa do tecido empresarial em Portugal, as Pequenas e Médias Empresas (PME).

“As PME representam a esmagadora maioria das empresas em Portugal. E, tudo o que se lê ou fala sobre a representatividade de género é muito focado nas grandes empresas e nos programas que desenvolvem.”

A diretora geral da TAB Portugal refere o Índice de Mulheres Empresárias da Mastercard, e como Portugal é o sexto país do mundo onde há uma maior percentagem de mulheres empresárias, para falar em histórias de “de mulheres que após a maternidade, e procurando flexibilidade horária, começaram a ter negócios por conta própria que foram evoluindo para estruturas empresariais significativas. Ou mulheres que herdaram empresas familiares e tiveram de agarrar no projeto e seguir em diante”.

“São estas mulheres que estão a mudar o mundo dos negócios e a aparecer cada vez mais, facilitando a vida às gerações seguintes, que, espero eu, encontre cada vez menos barreiras em empreender e liderar apenas porque são mulheres”, acrescentou.

Para continuar a percorrer este caminho e manter ou melhorar as tendências, é preciso “mudar mentalidades é mudar gerações. E se não podemos mudar os que vieram antes de nós, temos que pelo menos liderar pelo exemplo quem vem em seguida”.

Por fim, comparando em termos globais, Rita Maria Nunes acredita que Portugal está “no rumo certo, mas há ainda muito a fazer”, apesar de referir a “exceção dos países nórdicos que estão mais desenvolvidos nesse sentido”.

Dando o exemplo da TAB, explica que estão em 24 países, “mas são muito poucas as mulheres que assumem a liderança, como é o meu caso. E na TAB o exemplo vem de cima, já que a Diretora Operacional a nível internacional é mulher. Mas mesmo assim sinto que há poucas mulheres na organização, quer a nível de facilitadoras, quer a nível de membros em si e isso é uma tendência que gostaria de inverter em Portugal”.

No dia 3 de junho, Rita Maria Nunes vai moderar o seminário “Os Desafios da Formação No Empreendedorismo Feminino”, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

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