As autoridades de saúde pública e os fabricantes de medicamentos têm de alertar a população que as vacinas contra o novo coronavírus podem ter efeitos colaterais graves, e que não serão «um passeio no parque», ou seja, neste processo «nem tudo são rosas» e as populações têm de se preparar para os resultados desagradáveis. O aviso foi deixado por especialistas norte-americanos, citados pela ‘CNBC’.
As recomendações surgem numa altura em que muitos países se preparam para distribuir as vacinas que podem salvar vidas já no próximo mês. Sandra Fryhofer, da American Medical Association, disse que as vacinas Covid-19 da Pfizer e da Moderna exigem duas doses em intervalos variáveis.
Como médica, a responsável refere que se preocupa se os seus pacientes vão querer voltar a receber uma segunda dose por causa dos efeitos colaterais potencialmente desagradáveis que podem sentir após a primeira injeção.
«Nós temos de consciencializar os pacientes de que isto não será só um passeio no parque», disse Fryhofer durante uma reunião virtual com o Comité Consultivo de Práticas de Imunização, ou ACIP, um grupo externo de especialistas médicos que aconselham o Centro de Prevenção e Controlo de Doenças (CDC) dos EUA.
Por sua vez, Nancy Messonnier, diretora do Centro Nacional de Imunização e Doenças Respiratórias do CDC, indicou que a agência trabalharia para desenvolver orientações caso um profissional de saúde recebesse uma vacina e não se sentisse bem no dia seguinte.
Já Patsy Stinchfield, enfermeira da Children’s Minnesota, defende que as autoridades e as farmacêuticas poderiam tentar falar sobre os efeitos colaterais de uma forma mais positiva, usando a linguagem como «resposta», ao evitar, por exemplo termos como «reação adversa».
«Estas são respostas imunológicas», disse Stinchfield. Se sentir alguma coisa após a vacinação, é normal. Deve sentir alguma dor no braço ou fadiga, algumas dores no corpo e talvez até febre», acrescentou a especialista.
Grace Lee, professora de pediatria da Escola de Medicina da Universidade de Stanford, concorda, dizendo que uma infeção por coronavírus pode ser prejudicial para uma família inteira.
«Se tiverem de perder 14 dias de trabalho, é uma grande perda», disse Lee ao CDC. «Acho que temos que pensar sobre a própria vacina. Embora possa haver alguns problemas de perda de trabalho a curto prazo, acho que isso deve ser equilibrado com o risco de contrair uma infeção», acrescentou.








