O presidente dos Estados Unidos voltou a gerar polémica depois de partilhar nas redes sociais uma imagem manipulada em que surge vestido como um general de quatro estrelas, coberto de condecorações militares e ao lado de dois dos mais célebres comandantes americanos da II Guerra Mundial.
A publicação foi feita na terça-feira na plataforma Truth Social e mostra Donald Trump entre os generais George S. Patton e Douglas MacArthur, tendo como cenário um campo de batalha.
Na imagem, Trump aparece com quatro estrelas no uniforme militar, enquanto Patton e MacArthur surgem com apenas duas. Na realidade, Patton foi general de quatro estrelas e MacArthur foi um dos poucos militares dos Estados Unidos a alcançar o posto máximo de general de cinco estrelas.
A montagem mostra ainda Trump a usar aquela que aparenta ser a Medalha de Honra, a mais alta condecoração militar atribuída pelos Estados Unidos, além de várias fitas de serviço normalmente reservadas a militares distinguidos ao longo da carreira.
A publicação reacendeu críticas antigas relacionadas com o facto de Trump nunca ter servido nas Forças Armadas.
Embora tenha frequentado a Academia Militar de Nova Iorque durante a adolescência, nunca integrou o Exército nem desempenhou qualquer função militar oficial.
Cinco adiamentos evitaram mobilização para o Vietname
Durante a Guerra do Vietname, Donald Trump conseguiu adiar por cinco vezes o recrutamento militar obrigatório.
Os primeiros quatro adiamentos foram concedidos enquanto frequentava a universidade e a escola de gestão da Universidade da Pensilvânia.
O quinto foi atribuído depois de um diagnóstico de esporões ósseos nos calcanhares, uma condição médica que o dispensou do serviço militar.
Anos mais tarde, familiares do médico que assinou esse diagnóstico disseram ao ‘The New York Times’ que acreditavam tratar-se de um favor prestado ao pai de Donald Trump, proprietário do edifício onde o clínico tinha o consultório. As mesmas fontes afirmaram desconhecer se o futuro presidente chegou sequer a ser examinado.
Trump sempre rejeitou qualquer irregularidade relacionada com essa dispensa.
Uma polémica recorrente
O historial militar de Donald Trump tem sido alvo de debate ao longo da carreira política.
Em 2020 surgiram acusações de que teria referido soldados mortos em combate como “perdedores” e “otários”, uma informação inicialmente publicada pela revista ‘The Atlantic’. Trump negou essas alegações.
Já este ano, durante um discurso em fevereiro, afirmou em tom de brincadeira que chegou a ponderar atribuir a si próprio a Medalha de Honra depois de uma visita a uma base militar no Iraque, em 2018.
“Perguntei às pessoas que estavam comigo se podia atribuir-me a Medalha de Honra. Um dia ainda vou tentar. Vou pôr a lei à prova”, disse na altura.
A nova publicação nas redes sociais volta agora a colocar o presidente dos Estados Unidos no centro da polémica, numa altura em que continua a utilizar a plataforma Truth Social como um dos principais canais de comunicação política.



















