“Nem Hitler atacou o Papa assim”: Trump gera indignação — e acaba por apagar publicação

Trump classificou o Papa como “fraco” na criminalidade e “terrível” em política externa, numa publicação extensa nas redes sociais, surgida após semanas de tensão em torno da guerra no Médio Oriente

Francisco Laranjeira

A escalada verbal entre o presidente americano, Donald Trump, e o líder da Igreja Católica, Papa Leão XIV, está a gerar uma onda de indignação internacional, depois de um ataque frontal do chefe de Estado ao pontífice — acompanhado por uma comparação polémica com Jesus Cristo.

A notícia foi avançada pelo ‘The Independent’, que relata que Trump classificou o Papa como “fraco” na criminalidade e “terrível” em política externa, numa publicação extensa nas redes sociais, surgida após semanas de tensão em torno da guerra no Médio Oriente.

Críticas ao Papa e comparação com Cristo geram revolta

A polémica intensificou-se quando o presidente partilhou uma imagem gerada por inteligência artificial onde surge representado como Jesus Cristo. A reação foi imediata — tanto entre católicos como dentro do próprio campo político de Trump.

Com cerca de 1,4 mil milhões de fiéis em todo o mundo, o Papa Leão XIV — o primeiro pontífice nascido nos Estados Unidos — tem assumido uma posição crítica face à escalada militar envolvendo o Irão. O líder religioso prometeu continuar a “falar alto contra a guerra”, alertando para o uso abusivo da mensagem cristã em contextos de conflito.

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Mais adiante, o ‘The Independent’ sublinha que até o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, condenou publicamente o gesto de Trump, classificando-o como um insulto inaceitável à figura de Cristo e ao próprio Papa.

Divisão dentro do universo MAGA

A controvérsia não ficou confinada ao plano internacional. Também dentro do universo político que apoia Trump surgiram críticas duras. A congressista Marjorie Taylor Greene, habitualmente alinhada com o presidente, considerou a publicação “mais do que blasfémia”, falando mesmo num “espírito de anticristo”.

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Outras figuras conservadoras, como Riley Gaines, questionaram abertamente as motivações de Trump, defendendo que “um pouco de humildade” seria necessário.

No campo religioso, vozes influentes também se manifestaram. O bispo Robert Barron classificou os comentários como “totalmente inapropriados e desrespeitosos”, enquanto o arcebispo Paul S. Coakley lembrou que o Papa “não é um rival político”, mas sim uma autoridade espiritual.

Relação tensa com o Vaticano não é nova

A tensão entre Trump e o Vaticano não começou agora. Durante o pontificado de Papa Francisco, já tinham existido confrontos públicos, nomeadamente sobre políticas migratórias, com o então Papa a sugerir que Trump “não era cristão”.

Agora, analistas como Massimo Faggioli consideram que este novo episódio elimina qualquer ambiguidade na relação entre a administração americana e a Igreja Católica, sublinhando o carácter inédito da agressividade.

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Massimo Faggioli, historiador italiano e especialista no Vaticano, considera que este episódio marca um ponto de rutura sem precedentes, sublinhando que nem figuras como Hitler ou Mussolini atacaram o Papa de forma tão direta e pública.

Guerra no Médio Oriente no centro do conflito

No centro desta escalada está a guerra com o Irão, que tem dividido posições entre Washington e o Vaticano. Trump chegou mesmo a ameaçar destruir infraestruturas iranianas caso o Estreito de Ormuz não fosse reaberto, numa retórica que o Papa criticou duramente, classificando o conflito como “atroz”.

O presidente americano, por seu lado, acusa o pontífice de ser “muito liberal” e de adotar posições que, na sua visão, fragilizam a resposta a países com ambições nucleares.

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