Oleksandr Antybysh tem uma ideia clara de como devem decorrer as negociações de paz com a Rússia. “Um regresso às fronteiras internacionalmente reconhecidas da Ucrânia, uma proibição para a Rússia conduzir exercícios militares a não menos de 300 km das fronteiras ucranianas”, revelou o militar, que colidera um grupo de voluntários que fabrica dispositivos para carregamento rápido de armas na cidade de Chernihiv, no norte da Ucrânia: citado pela ‘Al Jazeera’, o militar quer também ver “a reparação total de todas as perdas, materiais e morais, que devem ser calculadas por uma comissão internacional”.
No entanto, perante o avanço de Moscovo no sudeste da Ucrânia e a incursão ucraniana no oeste da Rússia, as perspetivas de conversações de paz parecem distantes. No entanto, Volodymyr Zelensky tem falado cautelosamente sobre o processo de paz com Moscovo, depois de mais de dois anos a negar a possibilidade – em meados de julho, o presidente ucraniano salientou que a Rússia deveria participar na segunda ronda da cimeira de paz na Suíça, depois de não ter sido convidada para a primeira.
As suas palavras refletem uma tendência crescente entre os ucranianos cansados da guerra, que acordam com o som das sirenes de ataques aéreas ou o barulho ensurdecedor de explosões – uma sondagem divulgada pela publicação ‘Zerkalo Tizhnya’, em meados de julho, mostrou que 44% dos ucranianos estão prontos para negociações de paz — o maior número desde o início da invasão, em fevereiro de 2022. Apenas 23% dos ucranianos queriam tais negociações em maio de 2023, apontou uma sondagem semelhante.
A sondagem apontou ainda que 35% dos ucranianos se opunham a qualquer tipo de negociação: dois terços dos entrevistados disseram que ainda acreditam no triunfo militar de Kiev sobre Moscovo, e 51% disseram que o regresso de todas as áreas ocupadas – incluindo a Península da Crimeia, anexada em 2014 – era uma condição para qualquer acordo de paz.
“Vemos uma tendência. O número daqueles que querem conversas está aumentar”, salientou o analista Volodymyr Fesenko, de Kiev. “Na verdade, muitas pessoas não expressam as suas opiniões, mas isso é mais um apoio silencioso ao fim da guerra.” No entanto, tanto os líderes ucranianos como o público têm um entendimento “definitivo” de que Kiev não pode concordar com concessões territoriais – a necessidade de um compromisso é óbvia, mesmo que a maioria não goste. “É um simples cessar-fogo sem um acordo sobre a questão territorial”, disse Fesenko. “É um mal menor em comparação com a situação atual.”
O maior obstáculo às negociações de paz e ao cessar-fogo são as exigências “impossíveis” de Moscovo, que incluem a retirada de tropas da Ucrânia de quatro regiões ucranianas que foram parcialmente ocupadas pela Rússia. Vladimir Putin tem repetido que Kiev deveria reconhecer as quatro regiões – junto com a Crimeia – como parte da Rússia e prometer não se juntar à NATO.
O Kremlin também quer que o Ocidente levante as sanções impostas a Moscovo e pressione Kiev a reconhecer o russo como segunda língua oficial para “proteger” os direitos dos falantes de russo no leste e sul da Ucrânia.
No entanto, quaisquer concessões territoriais são impossíveis por causa da sede insaciável de Putin e dos riscos de arruinar a carreira de qualquer político ucraniano que ouse sugeri-las. “Ninguém sabe que concessões fazer porque, em primeiro lugar, elas não satisfarão o ditador russo e, em segundo lugar, quem assumirá a responsabilidade de entregar as terras pelas quais tanto sangue foi derramado?”, descreveu.












