Negativo! O que festejamos nestes novos tempos…

Por Nelson Pires, General Manager da Jaba Recordati

No passado, se um filho nos aparecesse e comentasse que tinha tido um teste negativo, dávamos-lhe um raspanete sem ouvir o final da frase. Pensávamos de imediato que tinha tido nota negativa a matemática ou Português. Agora não, ficamos contentes, pois pensamos que testou negativo no covid de antigénio ou PCR. Mesmo sem ouvir o fim da frase e saber se realmente foi no teste covid ou no de matemática. Porque a pandemia nos empurrou para celebrar o negativo, algo que se está a tornar um processo de aculturação da mente. Quando pensamos no “cérebro” normalmente o associamos à razão, contudo, outra importante constatação da neurociência é que o nosso cérebro é muito mais emoção do que razão. E a pandemia afectou bastante a nossa resiliência “emocional” e desgastou a “racional”, devido ao desconhecimento e ao inesperado. Basta pensar que quando pensávamos que tudo estava controlado por termos índices elevados de vacinação, apareceu uma variante “Netflix”, com a nova variante ou temporada “Omicron”. Ora como sabemos que todas as informações e factos que os nossos sentidos apuram, chegam primeiro á parte emocional do cérebro que decidirá como reagir a estes estímulos, esta incerteza deve ter baralhado todos os nossos dogmas. Se a parte emocional do cérebro, catalogar a informação que recebe como risco ou ameaça, continua a ser processada emocionalmente e desencadeia reações emocionais como escapar, ou como pânico, ou como euforia, de reagir e lutar. Nem sequer chega a ser processada racionalmente. Temos os suores frios, batimento cardíaco acelerado, secura da boca, bem como outros sinais de aviso. Como que um rapto emocional do cérebro para nos manter alerta, decorrente do instinto mais básico de qualquer ser vivo, o do bem estar individual e sobrevivência. Portanto por vezes nem chega a ser processado pela parte racional do cérebro, pois nem sequer lá chega. O lado emocional decide o que fazer com a informação quando a recebe.

A resiliência é desta forma, a competência fundamental neste período, pois a possibilidade deste rapto emocional acontecer, mesmo antes do filtro racional, é muito elevado num momento de mudança e incerteza. Acrescido pelo facto de culturalmente, termos começado a celebrar o “negativo” em lugar do “positivo”, o “emocional” em lugar do “racional”.

Portanto temos de nos reeducar, estar atentos aos sinais que indicam um alerta emocional quando recebemos informação. Só tendo esta consciência, ou seja a consciência que este “funil emocional” existe, que acontece e que está aumentado, é que o poderemos controlar e utilizar de forma racional e útil, no nosso comportamento. Bem sei que esta educação para a resiliência e re-aculturação para o “positivo começa em casa. Mas também as organizações devem colocar os seus colaboradores nesta posição e ensiná-los a gerir em tempos de pandemia.

Como ? Através da cultura organizacional, da soma dos valores, práticas, comportamentos e crenças que servem como uma espécie de “farol” para integrar e orientar todos os membros de uma organização. E fá-lo a 5 níveis:

– ao nível da Inovação, empreendedorismo, assunção de riscos e “accountability” individual e organizacional,

– ao nível da gestão macro e micro, se olhamos “ para árvore sem ver a floresta” apenas olhando para os detalhes,

– ao nível do foco e da orientação para os Resultados e não para os processos, que são instrumentais,

– ao nível do foco e da orientação para as Pessoas que têm que se sentir “accionistas” da organização,

– ao nível da promoção da coopetição, ou seja “competição cooperativa, estimulando o desejo de ser o nº1 mas orientando para o trabalho em equipa, complementaridade e entreajuda mesmo entre “competidores da mesma organização”,

– ao nível da estabilidade e do futuro; ou seja a previsibilidade e justiça em que o diferente é tratado de forma diferente e o igual é tratado de forma igual.

Qual o elemento fundamental para que tudo aconteça e funcione? A liderança e a qualidade dos recursos humanos. As pessoas, em suma, são o elemento mais importante da organizações!

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