A The Navigator Company investiu 42 milhões de euros no primeiro trimestre deste ano, com mais de metade desse montante canalizado para projetos ambientais e de sustentabilidade, numa altura em que o grupo mantém o plano de modernização industrial e descarbonização apesar da volatilidade internacional causada pela guerra no Médio Oriente.
Segundo a empresa, cerca de 53% do investimento realizado entre janeiro e março foi direcionado para projetos de cariz sustentável, focados na eficiência operacional, redução de custos variáveis e melhoria ambiental.
Nos primeiros três meses do ano, a empresa totalizou 17,2 milhões de euros de lucro, uma descida de 64,3% relativamente aos primeiros três meses de 2025. “O resultado líquido foi de 17,2 milhões de euros contra 27 milhões de euros no trimestre anterior e 48,3 milhões de euros no período homólogo”, lê-se no comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Por sua vez, o resultado antes de impostos, juros, depreciações e amortizações (EBITDA) cedeu 43,9% para 64,8 milhões de euros.
Apesar do contexto internacional “muito complexo e volátil”, a Navigator conseguiu reduzir o endividamento líquido em 28 milhões de euros face ao final de 2025, para 675,4 milhões de euros. O grupo manteve ainda um rácio Dívida Líquida/EBITDA de 2,08 vezes e dispõe de 414 milhões de euros em linhas de financiamento disponíveis.
Entre os principais projetos em curso está a nova Linha de Deslenhificação por Oxigénio, em Setúbal, integrada no plano de melhoria ambiental da empresa e cuja entrada em funcionamento está prevista para este mês. A infraestrutura deverá permitir reduzir o consumo de químicos e madeira, ao mesmo tempo que melhora a qualidade do efluente industrial.
A empresa está também a avançar com a reconversão da máquina PM3, igualmente em Setúbal, para produção de papéis de baixa gramagem destinados a embalagens flexíveis. A nova unidade será, segundo a Navigator, uma das maiores e mais competitivas da Europa neste segmento e permitirá produzir alternativas recicláveis e biodegradáveis ao plástico e alumínio.
No segmento tissue, o grupo aprovou ainda o investimento numa nova máquina industrial no complexo de Aveiro, com capacidade anual de 70 mil toneladas. A produção destina-se sobretudo a abastecer a operação no Reino Unido. O investimento global ascende a cerca de 115 milhões de euros e contará com apoio do programa Portugal 2030, estando o arranque previsto para março de 2028.
Para acelerar a estratégia de descarbonização, a Navigator contratou junto do Banco Europeu de Investimento a segunda tranche de 40 milhões de euros de um financiamento total de 80 milhões.
A empresa refere ainda que continua a executar os investimentos associados ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), encontrando-se dentro dos prazos e custos previstos, tendo já recebido cerca de 84 milhões de euros em incentivos.
Segundo a Navigator, este conjunto de investimentos demonstra a aposta da empresa na competitividade de longo prazo, sustentabilidade e modernização industrial, mesmo num cenário económico e geopolítico desafiante.



