NATO discute possível reforço da segurança na Gronelândia, indica Alemanha

Ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, admitiu abordar a questão hoje em Washington numa reunião com o homólogo americano, Marco Rubio

Executive Digest com Lusa

A NATO está a discutir um possível fortalecimento da segurança no Ártico, num debate com participação da Alemanha, no contexto das tensões criadas pela pretensão americana de anexar a Gronelândia, confirmou hoje o Governo alemão.

“No âmbito da segurança transatlântica, o Ártico tem um papel crescente e, dentro da NATO, discute-se fortalecer a zona”, disse o porta-voz adjunto Sebastian Hille numa conferência de imprensa em Berlim.

Hille respondia a uma questão sobre um possível envio de tropas para o território autónomo dinamarquês, segundo a agência de notícias espanhola EFE.

O porta-voz assegurou que o Governo alemão “participa ativamente” nas conversações em curso no seio da Aliança Atlântica, de que tanto a Alemanha, a Dinamarca e os Estados Unidos fazem parte.

“Basicamente, qualquer diálogo diplomático para tranquilizar a situação é motivo de satisfação”, acrescentou.

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O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, admitiu abordar a questão hoje em Washington numa reunião com o homólogo americano, Marco Rubio.

“Precisamente porque a segurança no Ártico se torna cada vez mais importante, quero aproveitar a minha viagem para debater como podemos assumir esta responsabilidade conjuntamente dentro da NATO, dadas as rivalidades antigas e novas na região por parte da Rússia e da China”, assinalou Wadephul.

Também a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, referiu no domingo à noite que “uma presença militar aumentada de forma significativa terá um impacto real” na segurança, “tanto no Ártico como para a Europa e para os Estados Unidos”.

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O jornal britânico ‘The Telegraph’ noticiou no domingo que o primeiro-ministro Keir Starmer estava em conversações com aliados europeus sobre um possível destacamento militar na Gronelândia, no âmbito de uma eventual missão da NATO para reforçar a segurança no Ártico.

A iniciativa, que começou a ser debatida na passada quinta-feira em Bruxelas, procura responder às preocupações expressas pelo presidente americano, Donald Trump, sobre a possível ação da Rússia ou da China na região.

Trump utilizou a Rússia e a China como argumento para justificar a suposta necessidade de uma anexação da Gronelândia.

De acordo com o jornal ‘The Telegraph’, chefes militares têm estado a elaborar planos preliminares para uma possível missão aliada, que poderá incluir tropas, navios e aeronaves, com a participação de vários países europeus, incluindo o Reino Unido.

Um porta-voz do Ministério da Defesa da Alemanha, Mitko Muller, disse hoje que, por enquanto, não havia planos para estacionar tropas alemãs na Gronelândia.

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Destacou, no entanto, que Berlim demonstrou nos últimos meses que a defesa do Atlântico Norte e do Ártico faz parte dos interesses da Alemanha.

Muller recordou que a Alemanha participou em agosto em manobras militares na zona com a marinha dinamarquesa e que também o ministro da Defesa, Boris Pistorius, se deslocou à ilha ártica.

Ressaltou ainda que a questão da segurança no Atlântico Norte deve ser abordada sempre a partir de uma perspetiva multilateral.

O ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, José Manuel Albares, admitiu hoje um reforço da segurança da Gronelândia se a Dinamarca considerar que a ilha se encontra em risco.

“Se em torno da Gronelândia ou no Ártico houver (…) elementos ou situações que possam colocar em risco a segurança atlântica, estou certo de que todos o poderíamos analisar e, se houver necessidade de reforçar a segurança, seria reforçada”, afirmou Albares em Madrid.

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