NATO ativa defesas contra possível ataque nuclear, radiológico, biológico ou químico da Rússia

A informação foi avançada esta quinta-feira pelo secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, em conferência de imprensa após a cimeira extraordinária de Bruxelas.

Simone Silva
Março 24, 2022
14:57

A NATO já ativou os seus mecanismos de defesa contra um possível ataque da Rússia com armas nucleares, radiológicas, biológicas ou químicas na Ucrânia, que poderia afetar os países da aliança.

Segundo o jornal ‘ABC’, a informação foi avançada esta quinta-feira pelo secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, em conferência de imprensa após a cimeira extraordinária de Bruxelas.



Na mesma ocasião, o responsável revelou que vai alargar o seu mandato até 30 de setembro de 2023, devido à “mais grave crise de segurança numa geração”, e insistiu que o uso dessas armas pela Rússia na Ucrânia “mudar a natureza do conflito”.

Por esse motivo, os países aliados também vão apoiar a Ucrânia, através do envio de equipamentos ou de especialização para este tipo de ameaças.

“Estamos preocupados, a Rússia está a tentar encontrar um pretexto para o seu uso culpando a NATO e países aliados pelo uso dessas armas químicas ou biológicas, acusações que são obviamente falsas”, disse Stoltenberg.

O secretário-geral insistiu que o uso dessas armas mudaria a maré da guerra “e teria consequências abrangentes. Afetaria a população ucraniana e também poderia afetar cidadãos de países da NATO”, como aqueles que fazem fronteira com a Ucrânia.

“A guerra da Rússia contra a Ucrânia destruiu a paz na Europa e está a causar um enorme sofrimento e destruição humana”, afirmou o responsável, anunciando “uma redefinição” das capacidades de dissuasão da NATO, especialmente no flanco oriental da Aliança.

Conforme anunciado ontem, para além dos quatro batalhões permanentes que foram implementados desde 2017 na Estónia, Letónia e Lituânia, e um posterior na Polónia, uma presença permanente de tropas aliadas estará agora na Bulgária, Roménia, Eslováquia e Hungria.

A ofensiva militar lançada na madrugada de 24 de março pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de dez milhões de pessoas, mais de 3,6 milhões das quais para os países vizinhos, de acordo com os mais recentes dados da ONU – a pior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Segundo as Nações Unidas, cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e a imposição à Rússia de sanções que atingem praticamente todos os setores, da banca ao desporto.

A guerra na Ucrânia causou um número ainda por determinar de mortos civis e militares e, embora admitindo que “os números reais são consideravelmente mais elevados”, a organização confirmou hoje pelo menos 977 mortos e 1.594 feridos entre a população civil, incluindo mais de 170 crianças.

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