“Não vejo um acordo de paz estabilizado [na Ucrânia] no futuro previsível”, alerta Durão Barroso

Durão Barroso considera altamente improvável que a guerra na Ucrânia venha a culminar, num horizonte próximo, num acordo de paz sólido e duradouro, defendendo que o máximo a que a comunidade internacional pode realisticamente aspirar é um cessar-fogo ou uma trégua que suspenda os combates, sem resolver de forma estrutural os problemas de segurança na Europa.

Revista de Imprensa

José Manuel Durão Barroso considera altamente improvável que a guerra na Ucrânia venha a culminar, num horizonte próximo, num acordo de paz sólido e duradouro, defendendo que o máximo a que a comunidade internacional pode realisticamente aspirar é um cessar-fogo ou uma trégua que suspenda os combates, sem resolver de forma estrutural os problemas de segurança na Europa. A avaliação é feita num contexto de guerra prolongada, crescente instabilidade internacional e reforço das tensões geopolíticas.

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Numa entrevista ao Diário de Notícias (DN), o antigo primeiro-ministro e ex-presidente da Comissão Europeia sublinha que “não vejo, no futuro previsível, com ou sem Putin, uma hipótese de acordo de paz estabilizado, com garantias suficientemente fortes e com um arranjo holístico para a segurança europeia”, frisando que a atual realidade aponta para soluções temporárias e não para uma paz consolidada.

Durão Barroso enquadra este pessimismo na transformação da Rússia numa verdadeira economia de guerra, sustentando que Moscovo dificilmente abandonará uma lógica de confronto. Segundo o antigo responsável europeu, a Rússia “estabeleceu-se agora como uma economia de guerra” e isso reduz drasticamente as condições para uma paz credível, mesmo num cenário de eventual mudança de liderança no Kremlin.

Na sua análise, a ameaça russa não se limita ao território ucraniano, mas estende-se a toda a Europa, através de uma guerra híbrida que inclui desinformação, sabotagens e provocações militares. É por isso que considera essencial que a União Europeia e a NATO se mantenham preparadas para todos os cenários, incluindo os mais graves, mesmo desejando que não se concretizem.

Questionado sobre a possibilidade de cedências territoriais por parte da Ucrânia num eventual acordo, Durão Barroso é prudente e afirma que essa decisão cabe exclusivamente a Kiev. Ainda assim, admite que, de forma realista, “terá de haver algumas concessões”, sublinhando que não compete a terceiros determinar quais devem ser essas cedências num quadro negocial credível.

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O antigo presidente da Comissão Europeia rejeita igualmente a ideia de que a estratégia russa tenha sido bem-sucedida, argumentando que a invasão da Ucrânia acabou por fortalecer a NATO e empurrar países como a Suécia e a Finlândia para a Aliança Atlântica. Para Durão Barroso, Vladimir Putin agiu movido por ressentimento histórico, o que, na sua perspetiva, “é uma emoção compreensível, mas não pode ser uma política”.

No plano global, alerta ainda para a crescente dependência da Rússia em relação à China, considerando que Moscovo se tornou um parceiro júnior de Pequim, tanto no plano económico como estratégico. Esta mudança de equilíbrio, sustenta, é uma das grandes transformações geopolíticas das últimas décadas e condiciona qualquer perspetiva de estabilidade futura.

Face a este cenário, Durão Barroso defende que a melhor forma de preservar a paz continua a ser a dissuasão, evocando o princípio clássico de que a preparação para a guerra é um instrumento essencial para evitar o conflito. “A melhor maneira de termos paz é estarmos preparados para a guerra, para desencorajar o potencial agressor”, afirma.

Em síntese, a visão do antigo líder europeu é clara: a guerra na Ucrânia dificilmente terminará com um acordo de paz robusto no curto ou médio prazo. Um cessar-fogo poderá salvar vidas, mas, sem garantias sólidas e um novo quadro de segurança europeia, a paz permanecerá frágil e incerta.

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