O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, afirmou que a União Europeia “vai cair sozinha” e aplaudiu a operação da administração Trump que levou à captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, numa conferência de imprensa internacional em Budapeste, onde foram abordados os principais temas da atualidade global.
Na conferência anual, realizada na noite desta segunda-feira, Orbán passou em revista dossiers como a guerra na Ucrânia, a política energética, a migração, o futuro da União Europeia e a relação com os Estados Unidos, deixando várias declarações polémicas, segundo a ‘Euronews’.
“A velha ordem liberal chegou ao fim”
Para o chefe do Governo húngaro, 2025 marcou o fim de uma era na política internacional. Orbán considerou que a tomada de posse de Donald Trump nos Estados Unidos deu o “golpe de misericórdia” à ordem mundial liberal, que, no seu entender, foi substituída por uma nova fase que designou como a “era das nações”.
Orbán afirmou ver-se como um precursor deste novo paradigma desde 2010, defendendo uma política centrada na soberania nacional e no afastamento de conflitos armados.
O primeiro-ministro sublinhou que a energia é a questão central da nova era geopolítica, defendendo que a soberania dos Estados depende da sua capacidade de garantir abastecimento energético barato. Orbán afirmou que a Hungria procura assegurar cadeias de abastecimento, infraestruturas e empresas energéticas robustas.
Criticou ainda Bruxelas por tentar cortar o fornecimento de petróleo e gás russos à Hungria, explicando que o seu Governo está a contestar juridicamente decisões da Comissão Europeia e a trabalhar politicamente para travar essas medidas, na expectativa de que a guerra entre Kiev e Moscovo termine em 2027, permitindo o levantamento das sanções.
Recusa em apoiar financeiramente a Ucrânia
Orbán reiterou que a Hungria não pretende apoiar financeiramente a Ucrânia, nem através de donativos nem de empréstimos. Argumentou que o país precisa de preservar recursos para os seus próprios objetivos de desenvolvimento económico e afirmou que os empréstimos concedidos a Kiev não seriam reembolsados.
No tema da migração, Orbán rejeitou o regulamento europeu que prevê a redistribuição de requerentes de asilo, defendendo que a Hungria não aceitará que Bruxelas determine com quem deve viver. Considerou “absurdo” que o país seja penalizado financeiramente por recusar a entrada de migrantes e afirmou que, noutros países europeus, a “substituição populacional já começou”.
Questionado sobre uma eventual saída da Hungria da União Europeia, Orbán afastou esse cenário, argumentando que o país não tem dimensão nem capacidade para seguir o caminho do Reino Unido. Ainda assim, afirmou que a UE está a atravessar um processo de desintegração e caos de liderança, que só poderia ser travado com uma profunda reestruturação.
Defendeu que a Hungria deve manter boas relações com vários blocos internacionais, incluindo Estados Unidos, Rússia, China e países do mundo árabe e turco, sublinhando que apenas Estados soberanos conseguem influenciar decisões em Bruxelas.
Venezuela e novo equilíbrio energético global
Orbán interpretou os acontecimentos na Venezuela como um sinal do novo equilíbrio mundial, defendendo que, em conjunto, Estados Unidos e Venezuela poderão controlar entre 40% e 50% das reservas mundiais de petróleo, com impacto significativo nos preços globais da energia. Considerou que energia mais barata nos EUA poderá beneficiar também a Hungria.
O primeiro-ministro voltou a referir um alegado acordo com Donald Trump para a criação de um “escudo” financeiro ou de segurança para a Hungria, apesar de Washington ter desmentido essa versão. Orbán afirmou que as negociações continuam e reiterou que o país precisa historicamente de uma proteção externa, dizendo não confiar em Bruxelas para esse papel.
Orbán garantiu apoio aos húngaros na Eslováquia no debate em torno dos decretos de Beneš, rejeitando qualquer noção de culpa coletiva. Sobre os casos de abusos em instituições de proteção de menores, afirmou que só após o apuramento total dos factos será possível falar em responsabilidades políticas.
No plano interno, afastou a possibilidade de debater com o líder do partido TISZA, Péter Magyar, e disse esperar repetir o resultado das legislativas de 2022. Negou ainda planos para alterar o sistema político húngaro, reafirmando a manutenção do atual modelo de primeiro-ministro.














