A poeira ainda não ‘abrandou’ após o colapso do Silicon Valley Bank (SVB) mas, segundo William Issac, ex-presidente da ‘Federal Deposit Insurance Corporation’, há mais bancos que estão prestes a entrar em colapso e os mercados podem enfrentar uma nova crise bancária semelhante à dos anos 1980.
As operações do SVB foram encerradas na passada sexta-feira pelos reguladores estaduais, ao qual se seguiu o nova-iorquino Signature Bank – apesar dos analistas referirem que as quedas não marcam uma crise do tipo Lehman Brothers, os prognósticos mais pessimistas apontam que o risco de contágio continua alto.
“Não tenho dúvidas: haverá mais. Quantos mais? Não sei”, referiu Issac, comparando a situação com as crises bancárias dos anos 1980 e 1990, quando o FDIC lidou com a falência de mais de 1.600 bancos.
Segundo o especialista, é preciso olhar para o mercado: os investidores estão claramente nervosos com a possibilidade de uma cascata de falências de bancos, refletida no preço das ações de vários bancos regionais esta segunda-feira – First Republic, PacWest, Western Alliance e Charles Schwab estão entre os principais nomes ‘suspeitos’, devido às ligações dos bancos com a indústria tecnológica ou que podem estar a enfrentar grandes perdas nas suas carteiras de títulos.
Embora os depositantes estejam seguros nas duas falências recentes, os bancos e os seus acionistas devem estar preparados para que o Governo os deixe falir e não podem contar com um salvamento como o registado em 2008, uma mensagem que foi claramente transmitida pela secretária do Tesouro, Janet Yellen, e pelo presidente americano Joe Biden.
“Deixe-me esclarecer que, durante a crise financeira, houve investidores e proprietários de grandes bancos sistémicos que foram resgatados”, disse Yellen em relação a um possível resgate. “As reformas implementadas significam que não faremos isso de novo.” Já Biden frisou: “Os investidores nos bancos não serão protegidos. Arriscaram conscientemente e quando o risco não compensou perderam o seu dinheiro. É assim que funciona o capitalismo.”
A queda do SVB foi surpreendente devido sobretudo à velocidade com que o banco desmoronou e acabou por fechar – os clientes retiraram 42 biliões de dólares em depósitos na passada quinta-feira, estimulados por mensagens de pânico nas redes sociais – contextualizado, a maior corrida bancária até ao momento fora a do Washington Mutual, que em 10 dias viu saírem 16,7 biliões.














