“Não tem mandato ou competência”: Alemanha nega planos de Von der Leyen para envio de tropas para a Ucrânia

O ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, rejeitou esta segunda-feira as declarações da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que tinha admitido a existência de planos para o envio de tropas europeias para a Ucrânia como parte de garantias de segurança.

Pedro Gonçalves
Setembro 1, 2025
16:46

O ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, rejeitou esta segunda-feira as declarações da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que tinha admitido a existência de planos para o envio de tropas europeias para a Ucrânia como parte de garantias de segurança. Pistorius considerou as afirmações “prematuras” e fora do âmbito de competências da União Europeia, segundo a agência Reuters.

Em declarações a jornalistas durante uma visita a uma fábrica de munições em Colónia, o ministro social-democrata (SPD) foi categórico: “Essas são coisas que não se discutem antes de sentar-se à mesa de negociações com as muitas partes que têm uma palavra a dizer na matéria”.



Pistorius sublinhou ainda que “a União Europeia não tem qualquer mandato ou competência para se posicionar em matéria de destacamento de tropas” e acrescentou: “Eu teria mais cuidado do que comentar ou confirmar tais considerações de qualquer forma”.

As críticas alemãs surgiram horas depois de Ursula von der Leyen ter dado uma entrevista ao jornal Financial Times, na qual revelou que as capitais europeias estavam a trabalhar em “planos bastante precisos” para um eventual destacamento militar na Ucrânia. A presidente da Comissão Europeia falou mesmo num “roteiro claro” para essas possíveis missões, que incluiriam uma força multinacional apoiada pelos Estados Unidos.

Von der Leyen encontra-se numa digressão pelos sete países da União Europeia que fazem fronteira com a Rússia, centrada na preparação militar e no reforço do investimento na indústria de defesa europeia. Ao longo do fim de semana visitou a Letónia, Finlândia, Estónia, Polónia e Bulgária, estando previsto que se desloque ainda esta segunda-feira à Lituânia e à Roménia.

No domingo, foi fotografada junto do primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, na fronteira da Polónia com a Bielorrússia, onde ambos sublinharam a importância da prontidão militar da União Europeia.

As declarações da presidente da Comissão Europeia expõem divergências entre Bruxelas e algumas capitais europeias, sobretudo Berlim, sobre até onde a União deve ir no apoio militar direto à Ucrânia.

Enquanto von der Leyen insiste em que há uma “necessidade clara de segurança a longo prazo”, vários governos, incluindo o da Alemanha, têm defendido que qualquer decisão sobre o envio de tropas cabe exclusivamente aos Estados-membros no âmbito da NATO e não às instituições comunitárias.

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