“Não somos os melhores amigos”: Atletas ucranianos e russos mantêm a distância nos Olímpicos em Pequim

Com as tropas russas reunidas nas fronteiras da Ucrânia, os atletas dos dois países fazem por se cruzar o menos possível

Teresa Campos

O conselho era esperado: a Ucrânia deu indicações claras aos seus atletas para evitarem os russos e instruiu-os inclusive sobre como se deviam comportar no caso de serem provocados. É que as restrições impostas por Pequim, onde decorrem a partir desta sexta-feira, 4, os Olímpicos de Inverno, limitaram, mas não eliminaram as possíveis interações entre os concorrentes de ambos os países.

“Não somos os melhores dos amigos”, confirma a atleta ucraniana Lidiia Hunko, citada pela Reuters, a propósito dos concorrentes russos. “Passamos o tempo o mais possível com a nossa própria equipa”, acrescentou, sem querer se alongar demasiado no discurso. “O trabalho de um atleta aqui é ganhar medalhas e representar orgulhosamente o seu país e não marcar pontos políticos”.

Para já, embora não haja ainda registo de quaisquer incidentes entre os concorrentes das duas nações, o facto é que a escalada das das tensões políticas tinha efetivamente afetado o espírito dos atletas ucranianos. “Todos deixamos família e amigos no nosso país. Isso deixa indelevelmente uma marca”, rematou Hunko.
Perante a tensão crescente, e a tentar proteger os seus atletas neste início da competição, o Comité Olímpico da Ucrânia já pediu mesmo à imprensa para que não questionasse os concorrentes ucranianos sobre política. “Faz com que se sintam emocionalmente a perder o chão”, alegou o porta-voz daquela instituição.

Isso explica algumas respostas curiosas. Por exemplo, quando lhe pediram para descrever a atmosfera na sua cidade natal de Kharkiv, no nordeste da Ucrânia, o bailarino no gelo Maksym Nikitin rapidamente mudou o tema para a comida servida na Aldeia Olímpica. O patinador Ivan Shmuratko serviu-se da mesma estratégia, esquivando-se a perguntas sobre o ambiente na Ucrânia, dizendo que estava nas Olimpíadas para dar o seu melhor.

Do outro lado da barricada, os atletas olímpicos russos, a competir sem bandeira nem hino nacional por causa das sanções antidoping, disseram apenas que a situação política dos dois países não é tema de conversa ali em Pequim. “Temos relações amigáveis”, avançou um cordial Semen Elistratov, citado pela agência noticiosa russa RIA. “Mas não podemos dar atenção a isso. É apenas política”.

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