“Não somos a piñata de ninguém”: presidente do México deixa aviso a Trump após sanções a bancos

Disputa entre EUA e México ocorre num momento de crescente escrutínio sobre o papel das redes financeiras internacionais na pandemia da crise do fentanil nos EUA

Francisco Laranjeira
Junho 27, 2025
15:30

A presidente mexicana Claudia Sheinbaum deixou um aviso ao presidente americano, Donald Trump, garantindo que o México “não é uma piñata de ninguém”, numa crítica à decisão da Casa Branca de sancionar três instituições financeiras mexicanas por alegações de lavagem de dinheiro.

“Não vamos encobrir ninguém… mas eles precisam de demonstrar que realmente houve lavagem de dinheiro — não com palavras, mas com evidências fortes”, apontou, no briefing matinal. “Não somos a piñata de ninguém”, acrescentou. “O México precisa ser respeitado.”

A disputa entre EUA e México ocorre num momento de crescente escrutínio sobre o papel das redes financeiras internacionais na pandemia da crise do fentanil nos EUA. As empresas chinesas são amplamente reconhecidos como a principal fonte de precursores químicos para a produção de fentanil. O México, que há muito tempo luta contra poderosos cartéis de drogas, tornou-se um importante centro de trânsito e produção.

As autoridades americanas argumentaram que as instituições financeiras do México estão a ser exploradas tanto por cartéis como por empresas chinesas que procuram burlar os reguladores americanos. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, escreveu na rede social ‘X’, que os “cartéis têm explorado instituições financeiras sediadas no México para movimentar dinheiro, possibilitando a perversa cadeia de abastecimentos de fentanil”.

Um dia após o Tesouro dos EUA anunciar sanções contra o CIBanco, o Intercam Banco e a corretora Vector Casa de Bolsa, o regulador bancário do México decidiu assumir temporariamente a administração do CIBanco e do Intercam. As autoridades afirmaram que a intervenção era necessária para proteger os depositantes e manter a estabilidade.

As sanções, que cortam o acesso a transações em dólares americanos e a redes financeiras, podem ter consequências económicas mais amplas, dada a estreita integração do México à economia americana. “Facilitadores financeiros como CIBanco, Intercam e Vector estão a possibilitar o envenenamento de inúmeros americanos ao movimentar dinheiro em nome de cartéis”, disse o secretário do Tesouro, Scott Bessent. “Eles são peças vitais na cadeia de abastecimentos de fentanil.”

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