Todos os voos entre Portugal e Itália foram cancelados e a medida vai prolongar-se até dia 24 de Março, havendo neste momento portugueses retidos no país.
«Não recebi qualquer tipo de apoio», queixa-se uma estudante portuguesa de Ciência Política a frequentar a a Universidade de Roma ao abrigo do programa Erasmus, ouvida pela “Renascença”. Margarida Vieira Lourenço tinha bilhete de regresso para esta quarta-feira, mas depois de o Governo português ter cancelado todas as viagens de ida e volta para Itália, sente-se «perdida».
«Mandei um e-mail ao consulado, mas eles responderam-me com um e-mail ‘tipo’ que não me ajudou. Tinha o meu voo marcado para amanhã porque para mim não fazia sentido ficar aqui com tudo fechado e sem aulas, mas parece que já fui tarde porque os voos foram todos cancelados», explica.
«Agora não sei como é que vou sair daqui», confessa a estudante, a viver num quarto nos arredores da cidade de Roma, que aponta ainda o dedo ao ISCTE: «Estou aqui há três semanas e eles nem sequer me deram a bolsa ainda, nem sei se me vão dar. Estou a usar os recursos financeiros da minha família e a situação está um bocadinho preocupante. (…) Sinto-me um bocado perdida agora, porque não sei como é que hei-de voltar para o meu país».
Ontem, o Governo assegurou todo o apoio aos portugueses que, no estrangeiro, possam necessitar de protecção, à semelhança do que aconteceu nos casos de Wuhan e no cruzeiro no Japão. «Estive agora a ver voos para ver se conseguia ir para Paris e de lá seguir para Lisboa, mas parece que está a ser tudo cancelado ou então são viagens por volta dos 300/400 euros e eu não tenho esse dinheiro. Portanto, vou ter de ficar aqui à espera», lamenta.
Em Portugal, o número de casos confirmados de infecção por Covid-19 subiu para 61 nesta quarta-feira, anunciou a Direção-Geral da Saúde.
A epidemia de Covid-19, detetada em dezembro na China, já provocou mais de 4.300 mortos. Cerca de 121 mil pessoas foram infetadas em mais de uma centena de países, e mais de 66 mil recuperaram.







