Para além da Covid-19 existem outras questões médicas que não podem ser descuradas e a vacinação é uma delas, como já tem sido sublinhado diversas vezes inclusive pela Direcção Geral da Saúde (DGS). Esta quinta-feira foi a vez do director regional para a Europa da Organização Mundial de Saúde (OMS), Hans Kluge, fazer o reforço da questão, numa altura em que os casos de sarampo na Europa ultrapassam os seis mil.
Se a doença parece ter chegado «ao planalto ou a uma diminuição de casos» nos países a Ocidente, está a aumentar no Leste da Europa, segundo o responsável que refere ainda que doenças cuja vacinação pode impedir a sua propagação, como o sarampo «continuam a espalhar-se em algumas parte da Europa, afectando mais de seis mil pessoas nos primeiros dois meses deste ano», afirmou Kluge.
«Não podemos permitir que isto piore. Temos de fazer tudo o que pudermos para impedir que as crianças sejam vítimas desta pandemia, devido à sua vulnerabilidade a doenças que podem ser prevenidas por vacinas, como o sarampo, a difteria ou a rubéola. A covid-19 não pode ter este dano colateral», apelou o responsável.
Kluge revela ainda que o sarampo «reapareceu» na Europa em 2017, sendo que no ano seguinte «mais de 500 mil crianças falharam a primeira dose da vacina», o que fez com que «mais de cem mil pessoas de todos os grupos etários foram infectados» com sarampo no continente europeu em 2019.
Neste sentido o responsável deixou o apelo para que os pais não descurem o processo de vacinação nos seus filhos, sublinhando que estão a ser asseguradas todas as condições de segurança nos serviços de saúde, devidamente divididos por circuitos Covid e não Covid.
Também Siddharta Datta, responsável pelo programa de vacinação em situações de emergência sanitária da OMS na Europa reforçou essa informação: «Não devemos esperar para vacinar as crianças. A imunização nunca foi mais importante. Não podemos permitir que a covid-19 abra a porta a outras doenças terríveis. O tempo para prevenir é agora», também porque se o aparecimento de doenças que podem ser evitadas com uma vacina não for impedido, os serviços de saúde vão ficar extremamente pressionados no futuro, segundo o responsável.
Hans Kluge disse ainda que «A vacinação é uma das medidas mais eficazes que temos. Protegem criança de muitas doenças que podem ser mortais. Numa altura em que temos cientistas em todo o globo a procurar desenvolver uma vacina segura e eficaz para a covid-19, somos de novo recordados de como as vacinas são preciosas».
Relativamente a uma potencial vacina contra a Covid-19, Adam Finn, especialista em vacinação infantil da OMS, referiu que o processo de criação de uma nova vacina é «longo», comparando-o com uma corrida de cavalos: «nem sempre o primeiro cavalo a partir é o que ganha a corrida».
«As que já estão a ser testadas podem atrair mais atenção e optimismo, mas podem não ser as mais seguras, eficientes e, muito importante, as que tenham a capacidade para serem produzidas nas melhores condições e distribuídas por todos», sendo por isso impossível determinar quando vai surgir uma vacina.
O responsável da OMS na Europa disse ainda claramente que «a covid-19 não vai desaparecer tão cedo», sendo por isso essencial a vacinação das crianças, bem como a garantia que os governos e serviços de saúde conseguem dar resposta a todos os problemas de saúde não relacionados com a covid-19, mantendo simultâneamente um combate «agressivo» à doença.
A reintrodução destes tratamentos deve ser feita «de forma segura e rapida», disse Hans Kluge. «Não podemos deixar que a catástrofe da covid-19 resulta numa segunda catástrofe, pelo mau tratamento de problemas de saúde relacionados com outras causas».














