«Não podemos gerir empresas num planeta morto». CEO’s querem priorizar questões sustentáveis depois da pandemia

A pandemia da Covid-19 criou novas formas de negócios que podem vir a beneficiar a economia e o meio ambiente, de acordo com líderes empresariais, que consideram não haver outra opção a não ser mudar o rumo do sector, em direcção à sustentabilidade, avança a ‘CNBC’.

Em Junho, a gigante brasileira de cosméticos ‘Natura’ lançou o plano «Compromisso com a Vida» para os próximos 10 anos, que visa reduzir as suas emissões a zero, ter 30% da sua gestão formada por grupos sub-representados e tornar todas as suas embalagens reutilizáveis ou recicláveis.

«Isto é ainda mais relevante pelo tempo em que vivemos e pela importância de realmente pensar na forma como queremos moldar o mundo ao sair desta crise», disse o CEO da ‘Natura’, Roberto Marques, citado pela ‘CNBC’.

A empresa considera que o crescimento financeiro e a sustentabilidade andam de mãos dadas, e a remuneração dos executivos tem sido parcialmente baseada em objectivos «verdes», segundo Marques.

Desta forma, é do interesse da Natura focar o seu crescimento na sustentabilidade para garantir, por exemplo, que a matéria-prima está disponível a longo prazo. «Não podemos gerir uma empresa num planeta morto … Não há outra opção para líderes empresariais», acrescentou Marques.

Por sua vez, para Richard Mattison, CEO da Trucost – que estima os riscos climáticos para as empresas – a pandemia criou oportunidades que são vitais para a economia e para o planeta. O responsável sugeriu três alternativas sustentáveis para as empresas: cortar em viagens de negócios, adoptar uma política de teletrabalho e tornar as cadeias de fornecimento de produtos mais locais.

«Por exemplo, se o sector de serviços profissionais definir uma política de trabalho em casa, durante três dias por semana, tal vai permitir que todo o sistema de transporte de passageiros se alinhe com os objectivos climáticos», disse Mattison, citado pela ‘CNBC’.

Reduzir as viagens de negócios em 40% e depender mais de vídeo-chamadas, significaria que a indústria da aviação estava no caminho certo para cumprir as metas climáticas prometidas no Acordo de Paris de 2015, segundo o responsável.

São muitas as empresas que procuram um futuro mais sustentável depois da crise de saúde pública. O Grupo do Clima, tem pressionado os governos a nível global para que seja criado um quadro político que acelere uma economia «verde» para as empresas.

Nesse sentido foi enviada uma carta em Junho à União Europeia, a solicitar, entre outras medidas, a priorização do financiamento da infraestrutura eléctrica. Os signatários do documento incluem as gigantes AB InBev, Google e Visa.

Também em Junho, a Unilever anunciou um investimento de mil milhões de dólares num fundo para o clima e a natureza, prometendo emissões líquidas zero em todos os seus produtos até 2039. Marc Engel, director comercial da empresa, pediu aos governos que façam planos para emissões líquidas zero até 2050.

«Estas metas a longo prazo também devem traduzir-se em objectivos de curto prazo para reduzir os gases de efeito estufa consistentes. Actualmente, simplesmente não estamos lá», afirmou Engel, citado pela ‘CNBC’.

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