“Fazemos os empréstimos porque temos uma enorme responsabilidade em ajudar os nossos clientes a ultrapassar esta crise. Não pedimos qualquer garantia pessoal seja a que empresário for. Mas, relembro, não estamos a dar crédito à economia, estamos a emprestar dinheiro e temos de tomar decisões com uma razoável certeza de que o BCP recupera o crédito”, afirmou Miguel Maya, o presidente do banco Millennium BCP, esta terça-feira, na Comissão de Orçamento e Finanças, Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação, quando questionado sobre a documentação e garantias que estão a exigir a empresas e particulares.
Miguel Maya defendeu ainda que se trata de uma dupla responsabilidade: a de recuperar o crédito do banco mas também “do crédito concedido pelos contribuintes portugueses que é a parte garantida, porque se o Estado quisesse dar o dinheiro às empresas não precisava da banca, passava um cheque e enviava-o às empresas”, ressalvou.
E neste contexto, o que o banco faz é pedir apenas os documentos necessários para que ambas as partes fiquem salvaguardadas. Em caso de dúvida, o banco pede, por exemplo um balancete mas garante que é “pontualmente”. Na certeza de que nada os obriga a conceder o crédito, reafirma que o fazem porque vivem da concessão de crédito, e porque é bom para as as empresas nesta fase particularmente difícil da crise.
Sobre o dossier das moratórias, que o banco tem públicas e privadas, Maya, confessando não ser “um entusiasta das moratórias privadas”, receando que os reguladores europeus que hoje mostram toda a flexibilidade, no futuro, não o sejam, e nesse caso, seria mais fácil que as moratórias fossem do Estado, avançou que, neste momento, o banco tem 25 mil processos que se traduzem em 2,2 mil milhões de euros.
Os processo particulares são já 55 mil casos, que significam 2,3 mil milhões de euros. No total o BCP, conta com 80 mil moratórias, numa “carga operacional pesada”, com pessoal a trabalhar aos fins de semana, assumindo que não estavam preparados para esta carga, sublinhou o responsável, no valor de 4,5 mil milhões de euros.
Nas Linhas COVID, o banco já atingiu mais 16 mil operações, que se traduzem em 4, 3 mil milhões de crédito. São na sua maioria para as pequenas e médias empresas, que assumem 44% do montante e 78% do referido montante, sobressaindo ainda o lugar das micro empresas nestas contas do BCP, ao significar 54% (cerca de 9% do montante).
Existe ainda uma questão “complicada e pouco falada nestes dias” que preocupa o gestor bancário: o caso das empresas em reestruturação, com ou sem PER – Plano Especial de Revitalização.
Nesta matéria, considera que estas empresas, mesmo estando a cumprir com todos os compromissos, sem falhas, passam automaticamente a estar numa lista de empresas às que não são concedidos créditos. Devendo então, em seu entender, e para não serem “estigmatizadas” com este selo porque são viáveis, ter outra oportunidade.
Miguel Maya deixou ainda uma nota sobre a equipa do BCP para dar conta de que vai pagar bónus aos trabalhadores, ainda que tenha decidido não pagar remuneração variável aos administradores. O valor a pagar aos trabalhadores não foi referido mas “não colocará em causa a solvabilidade” da instituição.
Garantiu ainda que foram congeladas as rescisões que estavam previstas.












