Não é só o do pulmão: poluição no ar está ligada a outros tipos de cancro, revela estudo

De acordo com o relatório, que sintetizou dados de 42 meta-análises e revisões sistemáticas publicadas entre 2019 e 2024, a poluição do ar não é apenas um fator de risco para o cancro de pulmão

Francisco Laranjeira

Respirar ar poluído aumenta significativamente o risco de desenvolver e morrer de vários tipos de cancro, incluindo no fígado e na mama, salientou esta segunda-feira um relatório da União Internacional para o Controlo do Cancro (UICC), que apontou para a necessidade de padrões mais rigorosos de qualidade do ar.

De acordo com o relatório, que sintetizou dados de 42 meta-análises e revisões sistemáticas publicadas entre 2019 e 2024, a poluição do ar não é apenas um fator de risco para o cancro de pulmão, mas também aumenta significativamente o risco de vários outros tipos de cancro e eleva a probabilidade de morte pela doença.

“Ar limpo não é um luxo, é um direito humano fundamental – um direito que sustenta a saúde, a equidade e o desenvolvimento sustentável. Combater a poluição do ar não é apenas uma prioridade ambiental; é uma estratégia de prevenção do cancro, um investimento económico e um ato de justiça social”, escreveu Helen Clark, ex-primeira-ministra da Nova Zelândia e copresidente da Our Common Air.

O relatório constatou que as partículas em suspensão representam o maior risco. Populações expostas a altos níveis de PM2,5, em comparação com aquelas em ambientes menos poluídos, enfrentam um aumento de 11% no risco geral de desenvolver cancro, com os aumentos mais acentuados para os de fígado e colorretal, rim, pulmão e bexiga.

A exposição prolongada a altos níveis de PM2,5 também foi associada a um aumento de 12% no risco geral de morte por cancro, e especificamente a um risco 20% maior do de mama, 14% do de fígado e 12% do de pulmão. A exposição a poluentes atmosféricos maiores (PM10) foi associada a um risco geral de cancro 10% maior, um risco 13% maior de morte do de pulmão e um risco 11% maior de morte do de mama.

Continue a ler após a publicidade

O relatório também constatou que esses riscos não são distribuídos igualmente. Mulheres e crianças geralmente são mais expostas ao fumo proveniente da queima de combustíveis sólidos para cozinhar e aquecer. Os autores descobriram que mulheres expostas à poluição do ar em ambientes domésticos enfrentam um risco 69% maior de cancro de pulmão, além de um risco aumentado de cancro de colo do útero.

O relatório observou que as pessoas que vivem em países de baixo e médio rendimento são as que mais sofrem, pois estão expostas a níveis mais elevados de poluição e contam com recursos limitados para reduzir a poluição ou ter acesso a tratamento oncológico oportuno.

E a desigualdade não se limita a estes países. Na Europa, um estudo recente constatou que as regiões mais pobres são também as mais afetadas pela poluição. “Avançámos muito na redução das mortes por cancro, mas a poluição do ar está silenciosamente a minar esse progresso. É um risco do qual as pessoas não se podem esquivar e que afeta desproporcionalmente mulheres, crianças e pessoas que vivem na pobreza”, disse Cary Adams, CEO da UICC.

Continue a ler após a publicidade
Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.