Não é só em Portugal: há 24 países na UE com problemas com a falta de professores, revela estudo

Com o início do ano letivo a decorrer em toda a UE, referiu o site ‘Euronews’, há 24 Estados-membros que se debatem com a falta de professores, o que tem impacto na aprendizagem dos alunos e dificulta o objetivo de proporcionar uma educação de qualidade para todos

Francisco Laranjeira
Setembro 3, 2024
18:19

O problema da falta de professores não é exclusivo de Portugal: a maioria dos Estados-membros da União Europeia viu uma grande parte das suas vagas de docentes por preencher no início de cada ano letivo, muitas vezes devido aos baixos salários, à elevada carga de trabalho e ao envelhecimento da população docente.

Com o início do ano letivo a decorrer em toda a UE, referiu o site ‘Euronews’, há 24 Estados-membros que se debatem com a falta de professores, o que tem impacto na aprendizagem dos alunos e dificulta o objetivo de proporcionar uma educação de qualidade para todos.

A Suécia foi considerada um dos países com maiores problemas, sendo necessários 153 mil professores qualificados até 2035.

De acordo com o relatório da Comissão Europeia “Education and Training Monitor 2023”, só há dois países da UE que não registaram falta de pessoal docente: são eles a Croácia e Chipre – no entanto, os dados públicos na Grécia não permitem avaliar se estão cobertas todas as necessidades ou em que disciplinas pode haver carências. Já na maioria dos países, há uma escassez de professores, especificamente nas disciplinas CTEM (disciplinas educacionais em “ciência, tecnologia, engenharia e matemática”) e de pessoal qualificado na educação e acolhimento na primeira infância.

Quais são os motivos para este problema na UE?

A profissão de professor sofreu de vários problemas, entre os quais os baixos salários, a insegurança no emprego e a elevada carga de trabalho. Em 2021, apenas 8% do total da mão de obra docente tinha menos de 30 anos, de acordo com dados do Eurostat. A integração de crianças ucranianas nas escolas da UE devido à guerra também agravou o problema da falta de professores na Europa.

Na Polónia, em fevereiro de 2023, 43,8 mil crianças deslocadas da Ucrânia estavam inscritas no ensino pré-escolar.

Entretanto, muitos países sofrem de uma população de professores envelhecida, prevendo-se uma vaga de reformas nos próximos anos, o que só aumentará a pressão sobre o sistema.

Em Portugal, a Fenprof estimou que vão reformar-se entre 4.700 e 4.800 professores – “o número mais elevado do milénio”, sendo que Portugal vai precisar de mais de 30 mil novos educadores até 2030.

A Comissão Europeia promoveu a mobilidade dos professores e recompensou práticas de ensino inovadora, como forma de resolver esta escassez e restaurar o prestígio desta profissão.

Muitos países da UE também tentaram atrair os reformados de volta à profissão e preencher as lacunas com professores com contratos temporários como solução de emergência.

Em abril deste ano, o secretário-geral da ASTI (‘Association of Secondary Teachers in Ireland’) da Irlanda, Kieran Christie, afirmou que o Ministério da Educação precisava de uma “mudança completa de pensamento” para resolver o problema da atual falta de professores. Christie sugeriu a implementação de uma série de iniciativas para incentivar o regresso dos professores que deixaram a Irlanda para trabalhar no estrangeiro. No entanto, uma solução a nível da UE poderá ser difícil de implementar.

“Uma das razões pelas quais é difícil criar um indicador europeu comparável entre países sobre a escassez de professores deve-se ao facto de os países terem regras institucionais diferentes em matéria de educação”, escreveu Giorgio di Pietro, economista especializado em educação, num relatório técnico elaborado para o Centro Comum de Investigação da UE.

“Por exemplo, as qualificações formais para o ensino podem ser obtidas de diferentes formas em diferentes países. Nalguns países, uma pessoa torna-se automaticamente professor quando conclui o programa de preparação de professores, enquanto noutros há etapas adicionais a cumprir”, concluiu.

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