O ano de 2026 arranca com as eleições presidenciais em Portugal, marcadas para 18 de janeiro, num contexto internacional em que várias democracias enfrentam atos eleitorais decisivos. Para além da escolha do próximo Presidente da República portuguesa, o calendário global inclui eleições que podem redefinir equilíbrios políticos nos Estados Unidos, na América Latina, na Europa, no Médio Oriente e na Ásia, num momento marcado por tensões geopolíticas, dificuldades económicas e debates intensos sobre democracia, segurança e justiça social.
Ao longo do ano, os eleitores de vários países serão chamados às urnas para decidir rumos políticos com impacto interno e internacional. Nos Estados Unidos, o Presidente Donald Trump enfrentará, em novembro, as eleições intercalares — as midterms — que renovam a totalidade da Câmara dos Representantes e um terço do Senado, funcionando como um teste político aos dois primeiros anos do seu segundo mandato. Historicamente, estas eleições tendem a penalizar o partido que ocupa a Casa Branca e são vistas como um mecanismo central de controlo democrático.
Hungria mede o desgaste de Viktor Orbán após 15 anos no poder
Na Europa Central, a Hungria realiza eleições parlamentares a 12 de abril, num escrutínio que avaliará a resistência política do primeiro-ministro Viktor Orbán, no poder há mais de uma década. Em 2022, o seu partido Fidesz alcançou 54% dos votos, garantindo uma maioria qualificada que permitiu endurecer legislação sobre direitos LGBTQ+ e reforçar mecanismos de controlo do debate público. A campanha deverá centrar-se na inflação, na migração, nos custos da energia e no abrandamento económico, com sondagens recentes a indicarem uma possível estagnação do apoio ao Fidesz e uma vantagem do partido Tisza (Respeito e Liberdade).
Colômbia decide entre continuidade à esquerda ou viragem à direita
Na América Latina, a Colômbia vai a votos presidenciais a 31 de maio, num contexto de desgaste do atual Governo. Gustavo Petro, impedido constitucionalmente de se recandidatar, termina um mandato marcado por escândalos de corrupção, pela aplicação incompleta do acordo de paz com as FARC e por um aumento da violência política. O assassinato do senador Miguel Uribe Turbay, após um ataque durante um comício, acentuou a instabilidade. As sondagens colocam Iván Cepeda, do Pacto Histórico, na liderança, seguido pelo candidato conservador Abelardo de la Espriella, com a possibilidade de uma segunda volta.
Suécia sob pressão entre segurança, energia e influência externa
Na Suécia, as eleições legislativas testarão a coligação de centro-direita liderada por Ulf Kristersson, confrontada com o aumento da criminalidade associada a gangues, o debate sobre imigração e divergências profundas quanto ao modelo energético. Enquanto a direita defende a expansão nuclear, a esquerda aposta nas energias renováveis e na indústria verde. As sondagens favorecem a social-democrata Magdalena Andersson, num país que, apesar das divisões internas, apresenta um amplo consenso em torno da adesão à NATO, concretizada em 2024.
Brasil prepara presidenciais com Lula como favorito
O Brasil vota a 4 de outubro em eleições gerais que incluem a Presidência, o Congresso e os governos estaduais. Tudo indica que Luiz Inácio Lula da Silva, aos 79 anos, parte como favorito para um eventual quarto mandato, liderando as intenções de voto face ao senador Flávio Bolsonaro. O Presidente tem sublinhado que “a extrema-direita não voltará a governar o país”, numa campanha dominada por preocupações com o crescimento económico lento, o crime organizado e a inflação, num contexto de juros elevados mantidos pelo Banco Central.
Israel vai às urnas sob o peso da guerra e da contestação social
No Médio Oriente, Israel elege a nova composição da Knéset a 27 de outubro. A atual coligação liderada por Benjamin Netanyahu enfrenta forte contestação após o ataque de 7 de outubro de 2023, a guerra em Gaza e vários processos judiciais por corrupção. Apesar de sondagens indicarem que uma larga maioria da população defende a sua demissão e eleições antecipadas, Netanyahu já garantiu que se recandidatará e afirma que vencerá novamente.
Estados Unidos testam a presidência de Trump nas midterms
As eleições intercalares norte-americanas de 3 de novembro serão decisivas para a governação de Donald Trump. Com a perceção pública de que o país “vai pelo caminho errado” e com uma forte ansiedade económica ligada à estagnação salarial e ao custo de vida, o resultado poderá alterar profundamente o equilíbrio de poderes no Congresso e condicionar o restante mandato presidencial.
Bangladesh tenta consolidar a transição democrática
Na Ásia, o Bangladesh realiza eleições a 12 de fevereiro, as primeiras desde a queda do Governo de Sheikh Hasina, afastado em 2024 após protestos massivos liderados por estudantes. O Governo interino, chefiado pelo Nobel da Paz Muhammad Yunus, comprometeu-se a assegurar eleições “justas, participativas e transparentes”, incluindo reformas como a limitação de mandatos do primeiro-ministro e a criação de uma segunda câmara parlamentar. Yunus já afirmou que não será candidato, assumindo um papel de facilitador da transição democrática.
De Portugal, que abre o ciclo eleitoral de 2026 com as presidenciais de 18 de janeiro, até às grandes potências globais, o ano será marcado por escolhas que podem redefinir políticas internas, alianças internacionais e a própria saúde das democracias. Num contexto de incerteza económica e tensão geopolítica, as urnas voltam a ser o principal palco onde se decidirá o rumo de vários países e regiões do mundo.














