Lisboa surge como a capital europeia menos acessível para uma pessoa solteira em 2026, de acordo com um novo relatório da ‘Tradingpedia‘, que compara o custo de vida com os salários líquidos médios em 37 capitais europeias. Apesar de não estar entre as cidades mais caras em valores absolutos, a capital portuguesa destaca-se pela pressão que as despesas essenciais exercem sobre os rendimentos locais.
O estudo analisou despesas mensais com habitação, alimentação, transporte, cuidados pessoais e entretenimento, cruzando esses custos com o salário líquido médio mensal em cada cidade. A conclusão é clara: o problema da acessibilidade não depende apenas de quanto custa viver numa capital, mas sobretudo da distância entre esses custos e aquilo que os residentes recebem ao fim do mês.
Em Lisboa, as despesas mensais estimadas para uma pessoa solteira ascendem a 1.631 euros, acima do salário líquido médio mensal, calculado em 1.343 euros. Isto significa que o custo de vida representa cerca de 127% do rendimento típico na cidade, colocando a capital portuguesa no lugar mais desfavorável do ranking europeu de acessibilidade para uma pessoa individual.
A habitação é o principal fator de pressão. Segundo o relatório da ‘Tradingpedia’, arrendar um estúdio mobilado de 45 metros quadrados fora das zonas mais caras, incluindo despesas, internet e bens essenciais para a casa, custa em média 1.226 euros por mês em Lisboa. Este valor corresponde a 91,3% do salário líquido médio local, antes sequer de serem consideradas despesas com alimentação, transportes, higiene pessoal ou lazer.
A posição de Lisboa contrasta com outras capitais europeias onde o custo de vida é mais elevado em termos absolutos, mas onde os salários também são substancialmente superiores. Londres é a capital mais cara para uma pessoa solteira, com despesas mensais de 3.611 euros, seguida de Berna, com 3.244 euros, Reiquiavique, com 2.972 euros, Amesterdão, com 2.668 euros, e Dublin, com 2.396 euros.
Ainda assim, algumas destas cidades conseguem ser mais acessíveis para quem nelas trabalha. Em Berna, por exemplo, os custos de vida representam pouco mais de metade do salário líquido médio, graças a rendimentos mensais de 6.424 euros. Em Amesterdão, apesar das despesas elevadas, o salário médio de 4.395 euros permite que os custos essenciais absorvam cerca de 60,7% do rendimento.
No extremo oposto, as capitais mais baratas da Europa concentram-se sobretudo no Leste e Sudeste europeu. Sarajevo, Minsk, Chisinau, Skopje e Podgorica registam os custos mensais mais baixos para uma pessoa solteira, entre 584 e 760 euros. Mas o relatório sublinha que preços baixos não significam necessariamente maior acessibilidade, uma vez que os salários locais também tendem a ser mais reduzidos.
A pressão sobre Lisboa agrava-se quando a análise passa para as famílias. Para um agregado de quatro pessoas, a capital portuguesa volta a surgir como a menos acessível da Europa, com as despesas mensais a consumirem 95,8% de dois salários médios. Tirana, Atenas, Roma e Varsóvia completam o grupo das capitais onde os orçamentos familiares ficam mais apertados.
Brian McColl, da Tradingpedia.com, sublinha que “as capitais mais caras da Europa não são necessariamente as menos acessíveis”. O fator decisivo, afirma, é a relação entre salários locais e custo de vida. Essa diferença ajuda a explicar por que razão cidades como Berna ou Amesterdão, embora caras, deixam mais margem financeira aos residentes, enquanto Lisboa surge no relatório como o caso mais crítico entre as capitais analisadas.




