Nada será igual. «Professores vão ter um trabalho muito duro em Setembro», alerta OCDE

Andreas Schleicher, director do Departamento de Educação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), alerta os professores, numa entrevista ao ‘Observador’, para a necessidade de terem de alterar o método de ensino, em Setembro, numa altura em que nada será igual.

«Os estudantes que têm autonomia estão bem, não é preciso grandes preocupações. Mas o mesmo não se passa com os que estão em desvantagem. Para estes, o papel do professor será extremamente mais importante e isso foi uma coisa que esta crise mostrou. Se olharmos para o futuro da educação, vamos ver uma maior procura por professores que vão para lá do seu papel de instrutor», refere o responsável, acrescentando que «os professores vão ter um papel muito duro em Setembro».

«O professor já não pode apenas dar um texto pré-fabricado a um grupo de estudantes, tem que desenhar novos cenários e ambientes inovadores de ensino, tem de perceber que alunos diferentes aprendem de maneira diferente e acolher essa diversidade, praticar uma pedagogia diferenciada. O professor tem de conhecer os alunos como indivíduos para os envolver no processo de aprendizagem», explica o especialista ao ‘Observador’.

Quando questionado sobre o fecho das escolas o especialista considera que «a escola não é apenas uma instituição académica. É o centro das nossas comunidades e sociedades. E sobretudo para os estudantes que podem não ter em casa o ambiente social adequado (à aprendizagem) é importante que as nossas escolas estejam a funcionar novamente».

E acrescenta ainda: «É possível ter uma interrupção de dois ou três meses, mas se ela se prolonga por muito mais tempo, então há uma certa faixa considerável de estudantes que nunca mais voltará à escola».

Para o responsável o custo social e económico do fecho das escolas é muito elevado e na sua opinião foi ignorado a longo prazo. Contudo, sublinha que «agora há que olhar para as consequências de longo prazo da crise e mediar o seu impacto, mas também reconstruir a educação de forma a servir as nossas sociedades».

Quando confrontado com uma alternativa ao encerramento das escolas, Schleicher refere que é necessário «abrir as portas das escolas o mais rapidamente que for possível fazê-lo em segurança. E há tantas boas abordagens ao redor do mundo para criar espaços seguros que permitem reconciliar requisitos de saúde com os de educação. Mas o futuro está no blending learning, ou seja, parte do ensino é feito online e outra parte presencial.

«Devemos pensar como configurar o espaço, o tempo, a tecnologia de forma a providenciar o melhor ensino para alunos diferenciados. Precisamos de nos tornar muito mais criativos no uso dos recursos educativos em vez de dizer apenas até aqui tivemos a escola e vamos voltar para ela», afirma.

Relativamente ao próximo ano lectivo o especialista defende que «os sistemas educativos têm de pensar melhor como atrair e recrutar os professores mais talentosos para as turmas mais desafiadoras e garantir que os alunos que têm mais dificuldades terão também mais apoios. A oportunidade educativa tem de se tornar muito mais personalizada e individualizada».

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