“Nada está fora de questão” para trazer a Ucrânia para a UE, garante Metsola: conversações formais de adesão devem acontecer até dezembro

Kiev está há um ano numa jornada que muitos apontam que dure entre quatro e cinco anos mas Metsola apontou que o bloco precisa de acelerar o acesso à Ucrânia – assim como dos países dos Balcãs que também se candidataram – para reduzir o risco de interferência russa

Francisco Laranjeira
Setembro 26, 2023
11:24

A União Europeia deve iniciar uma grande onda de mudanças para se preparar para a chegada da Ucrânia, garantiu esta terça-feira a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, sublinhando que “nada está fora de questão” nas negociações, incluindo a remoção das tarifas comerciais e o acesso de Kiev ao mercado europeu antes mesmo da adesão plena.

Em entrevista ao jornal britânico ‘The Guardian’, a mais jovem presidente de sempre do Parlamento Europeu confessou que pretende que os Estados-membros iniciem negociações formais com a Ucrânia já em dezembro. “Se eles estão a avançar rápido, devemos igualar essa velocidade”, referiu Metsola, que foi a primeira líder política a visitar a Ucrânia após a invasão da Rússia, a 1 de abril de 2022.

Kiev está há um ano numa jornada que muitos apontam que dure entre quatro e cinco anos mas Metsola apontou que o bloco precisa de acelerar o acesso à Ucrânia – assim como dos países dos Balcãs que também se candidataram – para reduzir o risco de interferência russa. “Empurrar a lata no caminho” do alargamento apenas vai alimentar o nacionalismo e a extrema-direita, reconheceu. “Isso aumenta os extremos do espectro político e o euroceticismo. As campanhas nos países candidatos à adesão são travadas, perdidas ou vencidas, com base no sonho e na esperança da UE.”

Roberta Metsola não escondeu o desejo que as conversações formais comecem antes do Natal, sendo que a decisão cabe aos ministros da UE, que se vão reunir formalmente em dezembro, sendo que para outubro está agendado um relatório sobre o progresso de Kiev na reforma do seu sistema judiciário, na redução da corrupção e na abertura dos seus mercados. “Espero um resultado concreto porque o pior sinal poderá ser o facto de termos dado a estas pessoas objetivos e prazos que não podemos cumprir”, indicou.

No entanto, a entrada da Ucrânia não pode ser feita sem uma reestruturação da própria UE, incluindo um novo acordo entre os Estados-membros sobre como angariar e distribuir fundos. Com a Moldávia e Albânia à espera de poder aderir ‘na próxima vaga’, a UE pode atingir os 30 membros. “É claro que o modelo económico que temos hoje não é aquele que sobreviveria com 32 ou 33 Estados-membros. Mas precisamos de ter essa conversa agora. Já começámos no Parlamento”, frisou.

“A pré-adesão também significa acesso a fundos, acesso a universidades, acesso para estudantes, a possibilidade de entrar no mercado interno, quer apliquemos tarifas de importação e exportação”, explicou Metsola. “Durante anos dissemos que a Ucrânia não poderia estar ligada à rede elétrica europeia. Levámos dias para fazer isso depois do início da guerra. No final das contas, foi sempre uma vontade política.”

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.