“Nada de substancial mudou” depois de George Floyd. Morrem três pessoas por dia nas mãos da policia norte-americana

A polícia americana já matou 249 pessoas só este ano.

Fábio Nunes
Março 30, 2022
12:13

Quase dois anos após a morte de George Floyd, não parece haver uma mudança palpável na ação da polícia nos Estados Unidos. Dados divulgados pela organização sem fins lucrativos Mapping Police Violence mostra que a tendência de ações letais por parte da polícia está em linha com anos anteriores.

Até ao dia 24 de março, a polícia nos Estados Unidos já foi responsável pela morte de 249 pessoas, uma média de três mortes por dia. O ano de 2021 foi um dos mais mortais desde que há registos. Os agentes da polícia mataram 1.136 pessoas no ano passado.



Em média, desde 2013 a polícia norte-americana matou cerca de 1.100 pessoas por ano, de acordo com os dados da Mapping Police Violence.

Tendo por base estes dados, os especialistas afirmam que foram feitos poucos progressos relativamente à violência policial desde a morte de George Floyd, e as promessas de reformas sistémicas ficaram aquém do esperado, adianta o The Guardian.

“A regularidade chocante destes assassinatos sugere que nada de substancial mudou realmente para interromper a dinâmica nacional de violência policial. Demonstra que não estamos a fazer o suficiente e que até parece que está a piorar ligeiramente ano após ano”, sublinhou Samuel Sinyangwe, cientistas e fundador da Mapping Police Violence.

Os ativistas defendem que a elevada persistência de mortes às mãos de polícias é uma das principais razões para não investir e expandir mais as forças policiais nos Estados Unidos, ao contrário das pretensões de Joe Biden.

No início desta semana o presidente norte-americano apresentou uma proposta orçamental para canalizar 30 mil milhões de dólares para as forças da autoridade.

“Investir mais num sistema que todos nós sabemos que está estragado é um estalo na cara de todas as pessoas que se manifestaram no verão de 2020. Reflete uma verdadeira falta de soluções para os problemas que enfrentamos. É apenas mais do mesmo”, frisou Chris Harris, diretor da Austin Justice Coalition.

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