Elon Musk pode estar mais perto de se tornar o primeiro trilionário do mundo, depois de a SpaceX ter entregado o prospeto para a sua entrada em bolsa, numa operação que poderá tornar-se a maior oferta pública inicial de sempre. A ‘Bloomberg’ adianta que o empresário detém cerca de 5,1 mil milhões de ações da empresa, além de aproximadamente 350 milhões de opções com um preço de exercício de 8,39 dólares, cerca de 7,7 euros.
A SpaceX deverá negociar no Nasdaq sob o símbolo SPCX e a operação poderá avaliar a empresa em cerca de 1,75 biliões de dólares, cerca de 1,61 biliões de euros, de acordo com várias notícias publicadas esta quarta-feira. A ‘Associated Press’ refere que a oferta poderá levantar cerca de 75 mil milhões de dólares, aproximadamente 69 mil milhões de euros, ultrapassando o recorde da Saudi Aramco, que captou 26 mil milhões de dólares, cerca de 23,9 mil milhões de euros, na sua entrada em bolsa.
O impacto direto na fortuna de Musk seria enorme. Segundo a ‘Bloomberg’, se a SpaceX atingir uma avaliação de 2 biliões de dólares, cerca de 1,84 biliões de euros, o património líquido do empresário poderá subir para cerca de 1,1 biliões de dólares, aproximadamente 1,01 biliões de euros. Mesmo com uma avaliação inferior, em torno dos 1,75 biliões de dólares, Musk continuaria próximo desse marco histórico.
A operação é também relevante porque abre pela primeira vez uma janela mais detalhada sobre as contas da empresa fundada por Musk em 2002. A SpaceX reportou receitas de cerca de 18,7 mil milhões de dólares em 2025, cerca de 17,2 mil milhões de euros, impulsionadas sobretudo pela Starlink, a rede de internet por satélite do grupo. Ainda assim, a empresa continua a exigir investimento pesado: a ‘Associated Press’ refere que registou um prejuízo operacional de 2,6 mil milhões de dólares, cerca de 2,4 mil milhões de euros, no último ano.
A Starlink surge como um dos ativos mais importantes para justificar a avaliação pretendida. Segundo o ‘The Guardian’, a divisão de internet por satélite gerou 11,4 mil milhões de dólares em receitas em 2025, cerca de 10,5 mil milhões de euros, e 3,2 mil milhões de dólares, cerca de 2,9 mil milhões de euros, apenas no primeiro trimestre de 2026.
Mas a nova SpaceX que chega ao mercado já não é apenas uma empresa de foguetões e satélites. O prospeto também reforça a aposta em inteligência artificial, depois da integração da xAI, outra empresa de Musk. A imprensa americana destaca que o documento combina ambições em exploração espacial, conectividade global, centros de dados orbitais e IA, uma mistura que ajuda a explicar o entusiasmo dos investidores, mas também levanta dúvidas sobre o realismo das projeções.
A estrutura de controlo será outro ponto sensível. Vários relatos indicam que Musk continuará a deter poder dominante através de ações com direitos de voto superiores, mantendo mais de 85% do poder de voto combinado mesmo após a entrada em bolsa. Na prática, os investidores poderão comprar exposição ao crescimento da SpaceX, mas com influência limitada sobre as decisões estratégicas da empresa.
A entrada em bolsa surge num momento em que a SpaceX já é central para a infraestrutura espacial dos Estados Unidos, com contratos públicos relevantes e uma posição dominante nos lançamentos reutilizáveis. Ao mesmo tempo, a dimensão da avaliação, os prejuízos, a dependência de objetivos de longo prazo e o peso pessoal de Musk deverão transformar a operação num dos testes mais observados de Wall Street este ano.











