O ex-primeiro-ministro, Durão Barroso, considera que o mundo está em “risco substancial” de ficar preso “num ciclo interminável de aplicação de doses de reforço”, com a sociedade “a perseguir o vírus” eternamente, em vez de se antecipar.
A posição consta de um artigo de opinião, publicado no Jornal de Negócios, onde o responsável defende a necessidade de adotar “novos compromissos por parte dos países de elevados rendimentos e dos fabricantes de vacinas”, para equilibrar o processo a nível global.
“Se protegermos as pessoas do mundo inteiro, poderemos reiniciar a economia e recuperar completamente o comércio e as viagens”, sublinha Durão Barroso no mesmo artigo.
Segundo o ex-primeiro-ministro, o mundo está “finalmente numa posição em que derrotar a covid-19 é uma perspetiva realista”. Ainda assim, vão continuar a surgir “desafios do lado da procura e da oferta [de vacinas] em 2022”, ressalva.
“Lamentavelmente, os sucessos também servem para mostrar onde é que o mundo falhou nos seus esforços para combater a pandemia”, disse considerado “lamentável” que existam ainda “mais de três mil milhões de pessoas, a maioria das quais a viver em países de rendimentos baixos”, sem vacina.
Por isso, escreveu, é imperativo que o “COVAX continue a receber apoio em todo o mundo”, para evitar que a o fosso entre pobres e ricos se acentue, o que “não só constituiria um fracasso do ponto de vista moral, como também uma catástrofe de saúde pública”, escreveu.
“Todos nós sabemos, por esta altura, que ninguém está a salvo até que todos estejam a salvo. Enquanto não conseguirmos vacinar as pessoas do mundo inteiro, o coronavírus continuará a mutar-se, resultando no aparecimento de novas variantes potencialmente perigosas”, concluiu.













