Mundial’2026: FIFA fala em estádios quase cheios, mas imagens de lugares vazios levantam dúvidas

Diferença entre aquilo que aparecia nas transmissões televisivas e os dados anunciados levou a FIFA a defender publicamente a forma como calcula as assistências

Francisco Laranjeira

O Mundial’2026 arrancou com procura recorde por bilhetes, segundo a FIFA, mas as primeiras imagens de vários jogos da fase de grupos levantaram dúvidas sobre a assistência real nos estádios, noticia a ‘Newsweek’.

Em algumas partidas dos primeiros dias da competição, foram visíveis setores vazios nas bancadas, apesar de os números oficiais indicarem lotações próximas da capacidade máxima dos recintos. A diferença entre aquilo que aparecia nas transmissões televisivas e os dados anunciados levou a FIFA a defender publicamente a forma como calcula as assistências.

“Os números oficiais de assistência refletem o número de bilhetes digitalizados e espectadores presentes no perímetro do estádio, e não avaliações visuais da ocupação dos lugares num determinado momento do jogo”, afirmou a FIFA.

Setores vazios em jogos da fase de grupos

Antes do início do torneio, a FIFA tinha destacado várias vezes a procura inédita por bilhetes. O presidente do organismo, Gianni Infantino, afirmou que tinham sido vendidos mais de seis milhões de bilhetes e que a procura era “sem precedentes”, “por um fator de 10 ou mais”.

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A organização disse ainda que o Mundial 2026 estava a caminho de estabelecer novos máximos de assistência e envolvimento global. Ainda assim, várias imagens dos primeiros jogos geraram debate entre adeptos e observadores.

No empate entre Canadá e Bósnia e Herzegovina, foram visíveis zonas com lugares vazios. O mesmo aconteceu no empate entre Qatar e Suíça, em Santa Clara, na Califórnia, apesar de a assistência oficial ter sido anunciada em 67.966 espectadores, num estádio com capacidade indicada de 68.827 lugares, segundo dados citados pela ‘Newsweek’.

Também em Zapopan, perto de Guadalajara, no México, a vitória da Coreia do Sul sobre a Chéquia por 2-1 mostrou várias cadeiras vazias nas bancadas, embora a assistência oficial tenha sido de 44.985 espectadores num recinto com capacidade listada de 45.664.

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FIFA diz que imagens podem enganar

A FIFA respondeu às dúvidas após o jogo entre Coreia do Sul e Chéquia, explicando que trabalha em articulação com as autoridades dos estádios e com as equipas de bilhética para verificar os números oficiais de assistência.

O organismo argumenta que a perceção visual pode ser enganadora, já que muitos adeptos se movimentam dentro dos estádios durante as partidas e nem sempre permanecem nos lugares atribuídos.

“Durante o jogo de ontem à noite em Guadalajara, vários adeptos com bilhete puderam ser vistos nas zonas de circulação, em vez de permanecerem nos seus lugares durante toda a partida”, afirmou a FIFA.

A organização insiste, por isso, que os números oficiais não devem ser comparados apenas com a ocupação visual das bancadas num dado momento da transmissão televisiva.

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Preços dos bilhetes também geraram críticas

As dúvidas sobre assistências não são inéditas em Mundiais. Situações semelhantes ocorreram no Brasil, em 2014, e no Qatar, em 2022, quando setores vazios também suscitaram perguntas sobre bilhetes vendidos, lugares ocupados e adeptos que compraram entradas mas não compareceram.

No caso do Mundial 2026, a discussão surge depois de críticas aos preços elevados dos bilhetes e à forma como a FIFA distribuiu entradas no mercado de revenda oficial para tentar evitar lugares por ocupar.

Dados partilhados com a ‘Newsweek’ e publicados no ‘TicketData.com’ indicavam que, na véspera do arranque da competição, ainda havia muitos bilhetes disponíveis: cerca de 25 mil vendidos diretamente pela FIFA e mais de 170 mil listados no mercado de revenda.

A FIFA afirma que continuará a libertar bilhetes adicionais ao longo do torneio. Milhares de entradas permanecem também disponíveis na plataforma oficial de revenda para jogos futuros, incluindo o encontro entre Suíça e Canadá, marcado para 24 de junho.

Para já, a organização mantém que o torneio está a registar uma procura histórica. Mas as imagens de setores vazios nos primeiros jogos mostram que, no Mundial 2026, a batalha pelos números também se joga fora do relvado.

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