O Mundial’2026 arrancou com procura recorde por bilhetes, segundo a FIFA, mas as primeiras imagens de vários jogos da fase de grupos levantaram dúvidas sobre a assistência real nos estádios, noticia a ‘Newsweek’.
Em algumas partidas dos primeiros dias da competição, foram visíveis setores vazios nas bancadas, apesar de os números oficiais indicarem lotações próximas da capacidade máxima dos recintos. A diferença entre aquilo que aparecia nas transmissões televisivas e os dados anunciados levou a FIFA a defender publicamente a forma como calcula as assistências.
“Os números oficiais de assistência refletem o número de bilhetes digitalizados e espectadores presentes no perímetro do estádio, e não avaliações visuais da ocupação dos lugares num determinado momento do jogo”, afirmou a FIFA.
Setores vazios em jogos da fase de grupos
Antes do início do torneio, a FIFA tinha destacado várias vezes a procura inédita por bilhetes. O presidente do organismo, Gianni Infantino, afirmou que tinham sido vendidos mais de seis milhões de bilhetes e que a procura era “sem precedentes”, “por um fator de 10 ou mais”.
A organização disse ainda que o Mundial 2026 estava a caminho de estabelecer novos máximos de assistência e envolvimento global. Ainda assim, várias imagens dos primeiros jogos geraram debate entre adeptos e observadores.
No empate entre Canadá e Bósnia e Herzegovina, foram visíveis zonas com lugares vazios. O mesmo aconteceu no empate entre Qatar e Suíça, em Santa Clara, na Califórnia, apesar de a assistência oficial ter sido anunciada em 67.966 espectadores, num estádio com capacidade indicada de 68.827 lugares, segundo dados citados pela ‘Newsweek’.
Também em Zapopan, perto de Guadalajara, no México, a vitória da Coreia do Sul sobre a Chéquia por 2-1 mostrou várias cadeiras vazias nas bancadas, embora a assistência oficial tenha sido de 44.985 espectadores num recinto com capacidade listada de 45.664.
FIFA diz que imagens podem enganar
A FIFA respondeu às dúvidas após o jogo entre Coreia do Sul e Chéquia, explicando que trabalha em articulação com as autoridades dos estádios e com as equipas de bilhética para verificar os números oficiais de assistência.
O organismo argumenta que a perceção visual pode ser enganadora, já que muitos adeptos se movimentam dentro dos estádios durante as partidas e nem sempre permanecem nos lugares atribuídos.
“Durante o jogo de ontem à noite em Guadalajara, vários adeptos com bilhete puderam ser vistos nas zonas de circulação, em vez de permanecerem nos seus lugares durante toda a partida”, afirmou a FIFA.
A organização insiste, por isso, que os números oficiais não devem ser comparados apenas com a ocupação visual das bancadas num dado momento da transmissão televisiva.
Preços dos bilhetes também geraram críticas
As dúvidas sobre assistências não são inéditas em Mundiais. Situações semelhantes ocorreram no Brasil, em 2014, e no Qatar, em 2022, quando setores vazios também suscitaram perguntas sobre bilhetes vendidos, lugares ocupados e adeptos que compraram entradas mas não compareceram.
No caso do Mundial 2026, a discussão surge depois de críticas aos preços elevados dos bilhetes e à forma como a FIFA distribuiu entradas no mercado de revenda oficial para tentar evitar lugares por ocupar.
Dados partilhados com a ‘Newsweek’ e publicados no ‘TicketData.com’ indicavam que, na véspera do arranque da competição, ainda havia muitos bilhetes disponíveis: cerca de 25 mil vendidos diretamente pela FIFA e mais de 170 mil listados no mercado de revenda.
A FIFA afirma que continuará a libertar bilhetes adicionais ao longo do torneio. Milhares de entradas permanecem também disponíveis na plataforma oficial de revenda para jogos futuros, incluindo o encontro entre Suíça e Canadá, marcado para 24 de junho.
Para já, a organização mantém que o torneio está a registar uma procura histórica. Mas as imagens de setores vazios nos primeiros jogos mostram que, no Mundial 2026, a batalha pelos números também se joga fora do relvado.





