O Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra volta a ser alvo de atenção por novas acusações de abuso sexual contra um dos seus membros. Três mulheres denunciaram Bruno Sena Martins, investigador e ex-dirigente do CES, por episódios que envolvem assédio e agressões sexuais em diferentes momentos ao longo dos últimos anos.
Andrea, uma das denunciantes, frequentou um curso de verão organizado pelo CES, em junho de 2017, na Curia. Segundo o seu testemunho, foi vítima de avanços indesejados por parte de Sena Martins. “Senti-me extorquida. Senti raiva. Pensei: este homem quer algo e simplesmente vai e tira, sem pedir licença, sem consentimento”, segundo o Diário de Notícias. Acrescenta ainda que a posição de poder do académico dentro da instituição lhe conferia uma aparente impunidade para este tipo de comportamentos.
No entanto, para além da presença confirmada de Andrea no evento, não existem registos que corroborem diretamente a sua versão dos factos.
Episódio em Coimbra: avanços indesejados e agressão
Helen, outra das denunciantes, relatou um incidente ocorrido em maio de 2017, quando fazia um estágio de doutoramento na Universidade de Lisboa. Viajou com uma amiga para Coimbra para assistir a uma aula magistral de Boaventura de Sousa Santos e ficou hospedada em casa de Bruno Sena Martins, a convite de um amigo comum.
Durante uma saída noturna, descreve que o académico se encontrava embriagado e fez avanços inapropriados tanto a ela como à sua amiga. “Lembro-me que estávamos num bar e o Bruno já estava bem bêbado, e pegava, botava mão na minha perna”, recorda.
Ao regressarem a casa, Helen e a amiga foram para o quarto onde iam dormir. Minutos depois, Sena Martins entrou no quarto e agarrou Helen por trás, tocando nos seus seios. “Dei um grito, e quando gritei ele deu-se conta e saiu do quarto.” No dia seguinte, o académico deixou uma garrafa de cachaça à porta do quarto, gesto que Helen interpretou como um pedido de desculpa.
Mensagens trocadas entre ambos na altura confirmam o pedido de desculpas do investigador, que afirmou não se recordar do sucedido. Duas testemunhas corroboram o relato de Helen: a amiga que estava consigo no quarto e um amigo que a ajudou a entrar em contacto com Sena Martins.
Uma agressão e um abuso
O testemunho mais grave é o de Miye Nadya Tom, que alega ter sido violada por Sena Martins em 2011. Na altura, era doutoranda no CES e saiu para jantar com o académico e uma outra mulher, também estudante. Durante o jantar, Sena Martins insistiu para que ambas bebessem.
“Fui à casa de banho e ele foi atrás de mim e beijou-me à força, enfiou-me a língua na boca”, relata Miye. Mais tarde, no exterior do restaurante, um homem do grupo agrediu-a violentamente. “Eu estava no chão a levar pontapés, foi um taxista que o parou”, descreve.
A estudante foi levada para o hospital, acompanhada por Sena Martins e a outra mulher. Em vez de regressar a casa, foi conduzida para a residência do académico. “Eu não sabia como sair dali. Tinha sido severamente magoada, estava em choque, e de repente sou envolvida em sexo a três”, denuncia Miye.
Sena Martins nega a versão da ex-doutoranda, alegando que a relação foi consentida e que pode ser confirmada pela terceira pessoa presente na noite dos acontecimentos. A mulher em questão, identificada no artigo como “Diana”, afirmou ao CES que não presenciou qualquer abuso, mas recusou-se a responder às perguntas do DN.
As três denunciantes esperam que Sena Martins seja afastado do CES e que a instituição reconheça as queixas apresentadas. “Desde logo, o reconhecimento do que sucedeu, e impedir que ele esteja numa posição de poder”, diz Miye. Helen, por sua vez, considera que Sena Martins deve ser impedido de orientar estudantes e sublinha o padrão de comportamento associado ao consumo excessivo de álcool.
O CES já foi alvo de críticas no passado por falta de ação face a episódios de assédio. Até ao momento, Sena Martins não prestou mais esclarecimentos sobre as acusações e a instituição ainda não se pronunciou oficialmente sobre estas novas denúncias.












