Mulher ateia incêndios para namoriscar com bombeiros e acaba condenada a três anos de prisão

Os incêndios foram registados em duas zonas agrícolas perto de Tripoli, e em ambos os casos, os bombeiros conseguiram controlar rapidamente as chamas, evitando maiores danos. No entanto, a mulher foi vista em ambos os locais, o que levantou suspeitas entre os bombeiros que intervieram.

Pedro Gonçalves
Setembro 6, 2024
12:40

Uma habitante de Tripoli, na Grécia, foi recentemente condenada a três anos de prisão e multada em cerca de 1.000 euros por ter provocado dois incêndios durante o mês de agosto naquela região. A mulher, cujo nome não foi divulgado, admitiu ter iniciado os fogos com a intenção de chamar a atenção dos bombeiros, revelando que tinha um particular interesse em vê-los trabalhar e em namoriscar com estes operacionais.

O incidente, noticiado pelo Greek Reporter, gerou uma onda de críticas, especialmente tendo em conta a gravidade da época de incêndios que a Grécia enfrenta.

Os incêndios foram registados em duas zonas agrícolas perto de Tripoli, e em ambos os casos, os bombeiros conseguiram controlar rapidamente as chamas, evitando maiores danos. No entanto, a mulher foi vista em ambos os locais, o que levantou suspeitas entre os bombeiros que intervieram. De acordo com a estação de televisão local SKAI, a mulher foi levada para interrogatório, onde acabou por confessar que havia provocado os incêndios para ter a oportunidade de conhecer os homens que vinham apagar as chamas.

Segundo fontes locais, a mulher não estava à procura de um homem específico, mas afirmou que a presença dos bombeiros em uniforme a atraía. O canal SKAI referiu que a condenada considerava esta uma forma simples de estar próxima de homens de uniforme, algo que alegadamente a “fascinava”, como viria a admitir em tribunal. Os bombeiros enfrentaram dificuldades em extinguir os incêndios, uma vez que as chamas deflagraram perto de áreas residenciais, o que obrigou à presença de muitos residentes nos locais afetados, segundo a mesma fonte.

A situação causou indignação, dado o impacto que os incêndios florestais têm tido no país nos últimos meses. A Grécia tem vivido uma das piores épocas de incêndios das últimas décadas, exacerbada por uma seca extrema e por altas temperaturas, fatores que tornam ainda mais perigoso qualquer foco de fogo, mesmo acidental.

O ministro da Crise Climática, Vassilis Kikilias, emitiu um aviso em junho de 2024, sublinhando a gravidade da época de incêndios e salientando que, na Grécia, iniciar um incêndio florestal, mesmo que acidentalmente, é considerado crime. A preocupação surge numa altura em que o país enfrenta secas severas, que agravam a propagação rápida dos incêndios.

Há três semanas, a Grécia travou uma das maiores batalhas contra fogos florestais que já presenciou, com as chamas a aproximarem-se perigosamente da capital, Atenas. Segundo o The Guardian, os serviços de emergência foram forçados a evacuar vários subúrbios, incluindo pacientes em hospitais, numa tentativa de conter o avanço do fogo. A gravidade da situação levou o governo grego a solicitar ajuda internacional, com vários países europeus a enviarem brigadas de bombeiros para auxiliar no combate aos incêndios.

A seca prolongada que atinge a Grécia tem provocado uma redução significativa nos níveis dos reservatórios de água. De acordo com a BBC, o reservatório de Mornos, no sul da Grécia, que abastece toda a região da capital, viu os seus níveis de água descerem drasticamente, a ponto de revelar casas de uma aldeia que tinha sido submersa durante a construção da barragem.

Dados do Serviço de Alterações Climáticas de Copernicus indicam que grande parte da Europa continental registou níveis de humidade abaixo da média durante o ano de 2024, o que contribuiu para a proliferação e intensidade dos incêndios.

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