A Bonhams realiza, no próximo dia 15, um leilão online dedicado a motocicletas históricas, com mais de 300 lotes que atravessam mais de um século de motociclismo, escreve o ‘El Economista’. A venda inclui modelos clássicos, motos de corrida, projetos de restauro, peças, acessórios, troféus, publicidade vintage e várias propostas para colecionadores, com preços estimados entre 100 euros e 120 mil euros.
O leilão – que já está a decorrer – termina de forma sequencial a partir das 12 horas de 15 de junho. No total, estarão disponíveis cerca de 300 lotes, dos quais 250 abertos a licitação. A diversidade é um dos principais atrativos: há motos pioneiras com mais de um século, clássicos britânicos, italianas raras, minibikes, triciclos, Vespas e modelos pensados tanto para colecionadores experientes como para entusiastas com orçamentos mais reduzidos.
Ao contrário do que acontece em muitos leilões de automóveis clássicos, onde os preços podem transformar os veículos em ativos financeiros quase desligados da paixão original, o universo das motos continua a ser mais acessível e, em muitos casos, mais emocional. O ‘El Economista’ sublinha precisamente essa diferença: aqui, o valor das peças tende a ser reconhecido sobretudo por quem conhece e vive o mundo das duas rodas.
Ducati em destaque no ano do centenário
Um dos grandes focos do leilão é a Ducati, que celebra o seu centenário. A Bonhams terá mais de 15 modelos da marca italiana em venda, incluindo algumas peças particularmente relevantes para a história da fabricante.
Entre elas está uma Ducati 750 SS de 1974, com preço estimado entre 80 mil e 100 mil euros. Trata-se de um dos apenas 401 exemplares da 750 SS com cárter redondo produzidos, considerado um dos modelos mais cobiçados da história da Ducati. A unidade foi restaurada e repintada em 2005 e mantém-se em excelente estado de conservação.
Também em destaque surge uma Ducati 851 de 1989, avaliada entre 6 mil e 8 mil euros. O modelo marcou o início de uma linhagem de superbikes de grande sucesso e ficou associado ao motor Desmoquattro, projetado por Massimo Bordi. O quadro multitubular, que se tornou uma assinatura visual da Ducati, é outro dos elementos que ajudam a explicar o interesse dos colecionadores.
Há ainda uma Ducati 916 Strada de 1999, igualmente estimada entre 6 mil e 8 mil euros, além de uma Ducati 996R de 2001, com motor de 998 cc e valor estimado acima dos 12 mil euros. Este último modelo está ligado à evolução do motor Testastretta, derivado do Desmoquattro e desenvolvido com contributo de Angiolino Marchetti, antigo engenheiro da Ferrari na Fórmula 1.
MV Agusta, Vincent e Indian entre as raridades
A lista de modelos excecionais vai muito além da Ducati. Uma MV Agusta 750S de 1973 deverá ultrapassar os 100 mil euros, com uma estimativa entre 90 mil e 120 mil euros. Com apenas 5.814 milhas no odómetro, cerca de 9.357 quilómetros, este exemplar teve apenas três proprietários, incluindo um que o conservou durante 44 anos.
Outra MV Agusta em leilão é a 750S America de 1975, estimada entre 30 mil e 40 mil euros. Lançada em 1976 como sucessora da 750S, tinha um motor de 789 cc com 75 cv, segundo a marca, capaz de acelerar dos 0 aos 160 km/h em cerca de 13 segundos e atingir aproximadamente 217 km/h.
Entre as britânicas, destaca-se uma Vincent Black Shadow Série C de 1954, transformada numa réplica da “Black Lightning”, com motor de 998 cc e valor estimado acima dos 50 mil euros. A moto pertenceu ao espólio de David Page, que competiu com ela em provas de velocidade na década de 1960. Mais tarde, a cilindrada foi aumentada para 1.300 cc e recebeu um compressor instalado pelo preparador Jim Smith.
Das pistas de madeira aos projetos de restauro
Entre as peças mais antigas surge uma Indian Big Chief de 1923, preparada segundo as especificações das motos de corrida em pistas de madeira da época. Avaliada entre 20 mil e 27 mil euros, foi adquirida na Califórnia em 2012 e passou por uma restauração significativa.
Outra proposta com interesse histórico é uma BSA Y13 de 750 cc de 1937, estimada entre 12 mil e 17 mil euros. Produzida durante apenas três anos, está entre os modelos BSA mais raros e procurados da década de 1930. O exemplar foi entregue ao primeiro proprietário em maio de 1937 e estava originalmente preparado para uso com sidecar.
O leilão inclui ainda modelos Ducati mais acessíveis, como uma Ducati 175 cc “Silverstone” de 1961 por cerca de 6 mil euros, uma Ducati 450 Mark III Desmo de 1975 por perto de 5 mil euros e uma Ducati 350 Mark III de 1975 também na mesma ordem de valores.
Um leilão para entusiastas, não apenas investidores
A amplitude de preços é um dos pontos que torna este leilão diferente. Há peças de seis dígitos, como a MV Agusta 750S ou a Ducati 750 SS, mas também motos e objetos de coleção com valores muito mais acessíveis. Isso abre a porta a perfis distintos de compradores, dos colecionadores especializados aos apaixonados que procuram entrar no mundo das clássicas sem gastar uma fortuna.
Além das motos completas, a Bonhams vai leiloar projetos de restauro, peças de substituição, acessórios, publicidade antiga, folhetos originais e objetos ligados à história do motociclismo. Para quem segue o universo das duas rodas, a venda funciona quase como uma viagem por diferentes épocas, estilos e escolas de engenharia.
Num ano simbólico para a Ducati, o leilão ganha ainda uma dimensão especial. A marca italiana atravessou um século marcada pela competição, pelo design e por uma identidade mecânica muito própria. Ter mais de 15 modelos Ducati reunidos na mesma venda ajuda a transformar o evento numa celebração para colecionadores e fãs da marca.




