O movimento TVDE (Transporte de Passageiros em Veículos Descaracterizados a partir de Plataforma Eletrónica) volta às ruas esta quarta-feira, 16 de fevereiro, para exigir mais fiscalização e uma taxa fixa nos serviços.
O protesto parte às 09h30 do Jamor, em Oeiras, rumo à Avenida da Liberdade, em Lisboa.
De acordo com o caderno de encargos, a tarifa mínima que cobre os custos de serviço está fixada nos 70 cêntimos por quilómetro. Os motoristas e parceiros pretendem que o valor mínimo por quilómetro esteja regulamentado em Decreto-Lei, de forma a garantir que estão cobertos os custos mínimos da atividade.
Na semana passada, foi a quarta quarta-feira consecutiva em que os motoristas e parceiros saíram à rua em protesto, tanto em Lisboa, como no Porto, depois de o representante da Free Now em Portugal, após receber o caderno de encargos, ter agendado uma reunião com os mesmos.
Em declarações à Lusa, Marcos Pais, do movimento TVDE, explicou que na reunião “foram assumidos alguns compromissos” e foi agendada uma nova reunião para 16 de março. O responsável disse ainda que a Bolt agendou também uma reunião com os elementos do movimento para dia 21 de fevereiro, que contará com a presença do diretor geral da Bolt em Portugal e o responsável ibérico.
Segundo Marcos Pais, só falta a Uber dar uma resposta às pretensões do movimento, embora mantenha o protesto de hoje, uma vez que, apesar de as reuniões estarem marcadas, “os problemas ainda não estão resolvidos”.
Em resposta escrita enviada à Lusa, fonte oficial da Free Now manifestou a sua solidariedade para com as revindicações dos motoristas “por melhores condições” e referiu que foram desenvolvidas “uma série de iniciativas com o intuito de estimular e elevar a fasquia global do setor”.
“Podemos avançar que subimos a tarifa mínima por viagem, de 2,50 euros para 3 euros, e eliminámos tarifas ‘low cost’, ao contrário dos nossos concorrentes, no sentido de tentarmos mitigar a precariedade e as baixas remunerações associadas à carreira de motorista TVDE”, indicou a empresa.
Depois de contactada pela Lusa acerca do protesto, também fonte oficial da Uber disse “respeitar o direito que todos têm de se manifestar com respeito pela segurança e ordem públicas”.
A mesma fonte salientou ainda que ouve “constantemente os motoristas e parceiros para melhorar a sua experiência na aplicação”.
“Sabemos que tanto motoristas como utilizadores valorizam um serviço fiável, seguro e que faça sentido do ponto de vista económico, e mantemo-nos empenhados em trabalhar para continuarmos a ser a aplicação de escolha de todos”, pode ler-se na nota enviada à Lusa.
Por seu turno, a Bolt disse estar a “trabalhar diariamente para contribuir que o desenvolvimento deste mercado de forma eficiente e sustentável. Para nós, o principal objetivo é o bem-estar de todos os parceiros envolvidos que são, naturalmente, influenciados pela legislação”.
“Neste tema, acompanhamos com o maior detalhe todos os desenvolvimentos, tendo como principal objetivo o de manter a Bolt como uma voz ativa em processos de avaliação da lei, procurando garantir um serviço com preços competitivos para o mercado e o maior lucro possível para os nossos parceiros”, disse Nuno Inácio, responsável pelos serviços de Ride-Hailing da Bolt Portugal.
Atualmente, são três as operadoras a trabalhar no país: Uber, Bolt e Free Now, esta última criada a partir da MyTaxi (serviço de transporte em táxis através de uma aplicação de telemóvel) e que integra também os TVDE da antiga Kapten.



