O motorista de Eduardo Ferro Rodrigues – então presidente da Assembleia da República – trabalhou, em média, 20 horas em cada sábado, denunciou esta quinta-feira o ‘Correio da Manhã’: ao todo, o motorista apresentou para pagamento 1.065 horas suplementares, feitas apenas neste dia.
Os números são dos serviços financeiros da Assembleia da República, relatou a revista ‘Sábado’, que obteve às horas extra apresentadas, na última década, pelos motoristas afetos à presidência do Parlamento. Ao todo, os profissionais reclamaram 55 mil horas suplementares apenas ao sábado, o que apontou que todos os partidos ultrapassaram a larga distância o limite de 200 horas extra previsto por lei.
No entanto, o motorista de Ferro Rodrigues ‘não descansou’: registou 923 horas extra em 2020 – o que dá uma média de 19 horas trabalhadas por sábado – e 916 horas em 2016, o que equivale a quase 18 horas diárias. Também o motorista de Fernando Negrão, então vice-presidente do Parlamento, apresentou mais de 900 horas efetuadas em todos os sábados de 2021, ou seja, 17 horas trabalhadas por cada dia. Augusto Santos Silva, ex-presidente do Parlamento, e os ‘vices’ António Filipe, José Manuel Pureza e Nuno Melo, viram os respetivos motoristas ultrapassar o limite legal, com números ‘extraordinários’.
De acordo com a lei, os motoristas podem ultrapassar o limite de sete horas diárias e 100 horas anuais de trabalho extra até ao limite de 200 horas por ano, com autorização do secretário-geral da Assembleia da República. Se exceder esse limite, é obrigatório o aval do conselho de administração do Parlamento.














