Um motorista de autocarro escolar na cidade rural de Les Billanges, em França, foi despedido após 17 anos de serviço por ter deixado crianças em frente às suas casas, em vez de nos pontos oficiais definidos pela empresa.
O caso, que está agora a ser analisado pela Justiça do Trabalho, suscitou uma onda de solidariedade entre os pais dos alunos, tendo já motivado uma petição com quase 10 mil assinaturas.
O incidente ocorreu durante o inverno, quando Damien Tabard optou por alterar ligeiramente a rota para evitar que as crianças caminhassem sozinhas em estradas perigosas e mal iluminadas. “De manhã e ao final do dia está escuro, e as calçadas não têm iluminação”, justificou o motorista em declarações à France 3 Nouvelle-Aquitaine. A empresa, no entanto, considerou a alteração da rota uma “infração grave”, justificando a demissão disciplinar com o descumprimento das normas de segurança.
A situação ganhou contornos emocionais na comunidade local. Durante a primeira audiência, cerca de 20 pais compareceram presencialmente para apoiar Tabard. Muitos destacaram o laço de confiança entre o motorista e os alunos.
A decisão judicial, inicialmente prevista para 28 de abril, foi adiada devido à falta de consenso entre os membros do tribunal — dois representantes patronais e dois dos trabalhadores. Um juiz profissional terá agora de dar o veredicto numa nova audiência, ainda sem data marcada.
Para a advogada de Tabard, Lise-Nadine Moreau, o caso levanta questões importantes. “Não é uma situação simples. Pode criar jurisprudência. Até que ponto um trabalhador deve obedecer cegamente às ordens ou agir com bom senso?”, questionou.
Apesar do desgaste emocional, Tabard mostra-se confiante: “Temos de ser pacientes e manter a esperança. A espera custa, mas é preciso continuar.”






