Moscovo bloqueia site ucraniano para soldados russos que se querem render. Página recebeu mais de 2000 pedidos

A página encontra-se disponível desde dia 4 de outubro, poucos dias antes de Putin anunciar que mais de 220 mil reservistas haviam sido mobilizados no seguimento do seu decreto.

Pedro Zagacho Gonçalves

O governo russo decretou um bloqueio nacional de acesso a um website, criado pela Ucrânia, que encoraja membros das forças russas a renderem-se. Na página do projeto estatal ‘Hochu Zhit’ (Quero Viver, em ucraniano), é possível que os soldados russos contactem a plataforma com garantias de proteção, seja por abandonarem o exército russo, seja para fugir à mobilização de reservistas decretada por Putin.

O bloqueio à página surge após notícia de uma enxurrada de pedidos feitos no site, por russos, pedindo para se renderem e abandonarem as forças militares. De acordo com o Kiyv Independent, em menos de duas semanas o site recebeu mais de dois mil pedidos de rendição.

“Garantimos cumprimento da Convenção de Genebra para a Proteção dos Prisioneiros de Guerra, três refeições por dia, serviços médicos, apoio legal de organizações internacionais, comunicações regulares com familiares, possibilidade da sua troca por militares das Forças Armadas da Ucrânia presos na Federação Russa”, assegura o governo ucraniano na página do projeto.

“Todos os que se renderem voluntariamente vão constar como capturados em combate. Isto vai garantir todos os pagamentos e apoios dados a todos os militares pela Rússia, bem como dar proteção perante uma eventual acusação na justiça”, lê-se no website que agora não pode ser visitado em território russo.

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A página encontra-se disponível desde dia 4 de outubro, depois de o anúncio da sua criação ter sido feito pelo Ministério da Defesa da Ucrânia, poucos dias antes de Putin anunciar que 220 mil reservistas haviam sido mobilizados no seguimento do seu decreto.

Segundo o Roskomsvoboda Project, uma organização não-governamental contra a censura, já é a segunda vez que a página em questão vê o seu acesso bloqueado na Rússia. “O projeto já foi bloqueado duas vezes… A primeira vez foi com uma ‘máscara’ em que todos os domínios e sub-domínios tinham acesso limitado, agora foi mesmo todo o website”, explicam os responsáveis.

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