Mortes em excesso nos EUA durante a pandemia superaram o milhão

A grande maioria das mortes foi provocada pela Covid-19, mas as consequências desta crise sanitária também podem ser constatadas nos elevados números de mortes causados por outras doenças

Fábio Nunes

Desde o início da pandemia de coronavírus, os Estados Unidos já registaram mais de um milhão de mortes em excesso. Este marco sombrio foi ultrapassado na semana passada. De acordo com Robert Anderson, chefe de estatísticas de mortalidade do National Center for Health Statistics, o total de óbitos atingiu os 1.023.916 na última atualização semanal desta entidade.

A grande maioria das mortes foi provocada pela Covid-19 (mais de 910 mil pessoas já morreram nos Estados Unidos devido à doença), mas as consequências desta crise sanitária também podem ser constatadas nos elevados números de mortes causados por outras doenças, como doenças cardíacas, hipertensão ou demência.

“Nunca vimos nada assim”, frisou Robert Anderson ao ‘The Washington Post’.

Robert Anderson explicou que 91% das mortes causadas pela Covid-19 analisadas pela sua unidade foram atribuídas diretamente a esta doença. Nos restantes 9%, a Covid-19 foi considerada um fator que contribuiu para as mortes mas não a causa principal.

“A maioria das mortes em excesso resultou diretamente de infeções por Covid-19, mas as pandemias têm grande impacto em todos os aspetos da sociedade”, assinalou Amesh Adalja, do Johns Hopkins Center for Health Security, que citou outros impactos na saúde que vão além da Covid-19, incluindo o aumento de overdoses, com as pessoas a consumirem drogas durante os períodos de isolamento e a não conseguirem ser acompanhadas ou a terem tratamento para o consumo de drogas.

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