Morte de Homeniuk: Ex-diretora do SEF inquirida pela IGAI. Novas revelações podem pô-la em causa

Apesar de ser obrigada a comunicar à IGAI a morte do cidadão, na mesma altura em que o Ministério Público é avisado, não o fez, nem nesse dia nem nos seguintes, apenas a 17 de março a IGAI recebeu a notificação

Revista de Imprensa

A ex-diretora do SEF, Cristina Gatões, foi inquirida pela Inspeção Geral da Administração Interna (IGAI), no caso da morte do cidadão ucraniano no aeroporto de Lisboa, avança o ‘Diário de Notícias’ (DN), adiantando que as novas revelações podem pô-la em causa,

Segundo a mesma publicação, que teve acesso ao processo disciplinar do caso, a morte de Ihor Homeniuk foi declarada pelo INEM às 18H40 de 12 de março de 2020 no centro de detenção do aeroporto de Lisboa.

Cristina Gatões, adianta o jornal, soube do óbito pouco depois, através do então diretor de Fronteiras de Lisboa (DFL), Sérgio Henriques. Às 19h37 recebeu um email do inspetor coordenador de turno no aeroporto (Francisco Anjos), com a ficha do INEM.

No documento, que se fazia acompanhar da cópia do passaporte e do relatório de urgência do hospital, lia-se que o cidadão “tinha sido encontrado em paragem cardiorrespiratória presenciada, após crise convulsiva”.

Para além disso, revela o ‘DN’, nesse mesmo dia a diretora nacional do SEF deu conhecimento da situação à chefe de gabinete do então ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita.

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Contudo, apesar de ser obrigada a comunicar à IGAI o sucedido, na mesma altura em que o Ministério Público é avisado, não o fez, nem nesse dia nem nos seguintes, apenas a 17 de março a IGAI recebeu a notificação, escreve o ‘DN’.

O que não se sabia e o jornal apurou é que nem sequer foi Cristina Gatões a comunicar a morte à IGAI, mas o coordenador da Inspeção Interna do SEF, João Ataíde.

A comunicação terá acontecido só depois de Ataíde, a pedido de Gatões, ter visto as imagens das câmaras de vigilância do centro de detenção no qual Ihor morreu, e assumido que “não resultaram indícios objetivos da existência de situações anómalas”.

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Apesar do pedido, adianta o jornal, não foi dada nenhuma ordem de abertura de processo de averiguações interno, que seria obrigatório em caso de morte em custódia.

À falta de comunicação da morte e à ausência do processo de averiguações interno, junta-se a particularidade de Gatões ter solicitado também ao diretor de Fronteiras de Lisboa, Sérgio Henriques, o visionamento das mesmas imagens, conclui o jornal.

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