Montenegro diz que negociações sobre lei laboral continuam, mas rejeita “eternizar” impasse (e marca nova reunião)

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, afirmou que o processo negocial em torno da reforma da legislação laboral vai prosseguir, mas advertiu que o Governo não pretende prolongar indefinidamente as discussões.

Pedro Gonçalves

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, afirmou esta quarta-feira que o processo negocial em torno da reforma da legislação laboral vai prosseguir, mas advertiu que o Governo não pretende prolongar indefinidamente as discussões. O chefe do executivo garantiu que haverá nova reunião com os parceiros sociais já na próxima semana, numa tentativa de ultrapassar o atual impasse.

A declaração foi feita no encerramento das jornadas parlamentares do PSD, onde Montenegro sublinhou que o executivo mantém disponibilidade para continuar o diálogo, embora considere que as negociações já atingiram um grau significativo de maturidade.

“Não queremos eternizar discussão, mas também não queremos deixar esgotar todas as possibilidades de aproximação”, afirmou o primeiro-ministro.

Durante a intervenção, Montenegro responsabilizou parcialmente a UGT pelo bloqueio nas negociações, afirmando que a central sindical apresentou recentemente uma contraproposta que, no entender do Governo, se afasta do enquadramento do processo negocial.

Segundo o primeiro-ministro, “foi apresentada por esta central sindical uma proposta sinceramente desenquadrada do processo negocial”.

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Ainda assim, Montenegro sublinhou que os contactos entre o executivo e os parceiros sociais já permitiram alcançar progressos relevantes ao longo dos últimos meses.

Mais de quatro dezenas de reuniões e dezenas de normas consensualizadas

De acordo com o chefe do Governo, o processo de negociação já envolveu um número significativo de encontros e produziu vários pontos de entendimento.

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“Já fizemos 49 reuniões, já foi possível consensualizar 76 normas com parceiros sociais, 28 das quais são propostas diretas de uma central sindical, da UGT”, indicou.

O primeiro-ministro destacou estes números para demonstrar que houve avanços concretos no diálogo social, apesar de ainda não ter sido alcançado um acordo final sobre o conjunto da reforma laboral.

Governo insiste na procura de consenso
Na véspera, o ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, tinha já defendido que a ausência de acordo não resulta de falta de empenho por parte do executivo.

O governante afirmou que o Governo pretende alcançar um entendimento no âmbito da Concertação Social, sublinhando que o objetivo continua a ser chegar a um consenso alargado.

“Se não há acordo não é por falta de vontade do Governo, porque o Governo quis intensamente fazer o acordo e quer intensamente o acordo”, afirmou o ministro, à margem do Fórum Banca 2026, realizado em Lisboa.

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Questionado sobre a possibilidade de o executivo avançar com a legislação mesmo sem acordo entre os parceiros sociais, Manuel Castro Almeida limitou-se a responder: “Vamos ver”.

Apesar das declarações do Governo, algumas organizações empresariais indicaram recentemente que o processo negocial poderia ter chegado ao fim sem entendimento.

O presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), Armindo Monteiro, afirmou em declarações à RTP Notícias que as negociações sobre o pacote laboral terminaram sem acordo, responsabilizando também a UGT pela falta de consenso.

Uma posição semelhante foi assumida pela Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP). O presidente da organização, João Vieira Lopes, declarou que não estava prevista a continuação das negociações após o fracasso das conversações mais recentes.

“Não está previsto. O Governo irá agora definir uma posição: se leva a legislação à Assembleia da República e em que formato, se o inicial ou se algumas contribuições vão ser incorporadas. Ficou nesse ponto”, afirmou em declarações à agência Lusa.

O anteprojeto da reforma laboral, denominado “Trabalho XXI”, foi apresentado pelo Governo de Luís Montenegro, formado por PSD e CDS-PP, a 24 de julho de 2025.

A ministra do Trabalho já indicou anteriormente que a intenção do executivo é apresentar a proposta de lei no Parlamento, embora ainda não tenha sido avançada uma data concreta para a sua submissão.

Com o anúncio de uma nova reunião com os parceiros sociais na próxima semana, o Governo procura agora manter aberta a via negocial, ao mesmo tempo que sinaliza que não pretende prolongar indefinidamente o processo sem resultados.
(Em atualização)

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