O surto global da varíola dos macacos (ou monkeypox) e a campanha de vacinação em curso podem levar a uma série de problemas neurológicos, como dores nos nervos, convulsões, inflamação cerebral e distúrbios de humor, como ansiedade e depressão, alertou um grupo de cientistas numa revisão de pesquisa publicada esta terça-feira no ‘JAMA Neurology’, no qual foram pedidas mais pesquisas sobre uma doença mal compreendida.
Segundo os especialistas, num artigo revisto por pares, problemas como dores nos nervos, convulsões, encefalite – inflamação cerebral – e distúrbios do humor, incluindo ansiedade e depressão, são complicações bem documentadas de infeções por vírus como a varíola, que estão intimamente relacionados com a monkeypox.
Embora tenham sido relatados poucos problemas neurológicos importantes durante o surto global de varíola dos macacos, os pesquisadores alertaram que “são esperadas complicações semelhantes” em pacientes com monleypox e pediram vigilância apertada aos médicos. As pessoas com um sistema imunológico comprometido estão particularmente em risco pois o vírus do monkeypox pode persistir no corpo por mais tempo e invadir o sistema nervoso, apontaram os cientistas.
Dado o grande número de pessoas que agora recebem vacinas contra a varíola dos macacos para conter o surto, os médicos também devem estar atentos a complicações neurológicas das injeções, acrescentaram os investigadores.
As vacinas mais antigas usadas contra a varíola, que também podem ser usadas contra a varíola dos macacos, utilizam outro vírus relacionado, vaccinia, para provocar imunidade e estão associadas a um conjunto de efeitos colaterais potencialmente graves e bem documentados.
Embora mais novas e mais seguras do que as vacinas anteriores – além de usar um vírus inativado em vez de vivo –, os investigadores sublinharam que os médicos devem estar atentos a quaisquer reações adversas à vacina Jynneos que está a ser usada em campanhas de vacinação atuais.
Até 14 de setembro tinham sido detetados 62.406 casos positivos de monkeypox em todo o mundo em 2022 – um terço, quase 24 mil, foram registados nos Estados Unidos. O número de casos positivos tem, contudo, diminuído nas últimas semanas, embora não seja ainda claro se a queda se deva à vacinação ou à mudança de comportamento em resposta ao surto.


